Filme: Willow – Na Terra da Magia (1988)

Willow fevereiro
DEPOIS DE TENTAR RECRIAR A MAGIA DO CINEMA DE STEVEN SPIELBERG em Splash: Uma Sereia em Minha Vida e Cocoon, o cineasta Ron Howard se viu dirigindo Willow – Na Terra da Magia , um longa-metragem com a temática muito semelhante a uma obra realizada por Ridley Scott três anos antes: A Lenda. E as coincidências não param por aí: Val Kilmer e Tom Cruise, respectivamente, estrelam as duas produções. Curioso é que Kilmer e Cruise contracenaram juntos dois anos antes em Top Gun – Ases Indomáveis, de Tony Scott.

Parece ser mais um caso de disputa dos estúdios por quem faz o melhor filme com a mesma temática, mas felizmente quem ganha é o público com duas histórias inesquecíveis e que marcaram o gênero aventura na década de 1980. Não que isso garanta a qualidade das duas nos tempos atuais, claro.

Pode até bater a preguiça de assistir a um filme do Ron Howard (geralmente são longos), mas basta ler o nome de George Lucas nos créditos para ficarmos animados. Uma história original de Lucas certamente é interessante o suficiente para garantir nossa atenção, não é mesmo? A sinopse é bem simples: um anão aceita relutantemente a missão de proteger um bebê das forças das trevas e da fúria de uma rainha maligna.

Willow é nada mais que um crossover de inúmeras referências. A principal é a história bíblica de Moises e o conto de fadas Branca de Neve, já que o bebê chega até Willow (Warwick Davis) pelo leito de um rio e a Rainha acredita numa previsão de que um bebê causará o fim do seu reinado. No entanto, podemos perceber diversas outras fontes, como Peter Pan, Jack o Matador de Gigantes e principalmente O Senhor dos Anéis (até então considerável um livro impossível de ser levado para as telas – exceto para os Beatles, pelo menos).

Uma das grandes metáforas do filme é que ao escolher um anão como protagonista, Howard claramente faz uma alusão de como nós todos somos pequenos demais na luta contra o sistema, mas que mesmo assim, ainda somos capazes de fazer a diferença. Graças à resistência e coragem do pequeno Willow, o reino escapou das garras da terrível rainha. Tudo bem que ele contou com a ajuda do guerreiro sem modos vivido por Kilmer (que está muito parecido com Tom Cruise, diga-se de passagem), mas ninguém vence guerra alguma sem buscar alianças com nossos opostos, certo?

Willow – Na Terra da Magia é indicado para públicos de todas as idades, especialmente crianças. Imagino que boa parte dos pirralhos com mais de sete anos irá torcer o nariz para a simplicidade da trama, o que só reforça a ideia de que não se fazem mais crianças como antigamente. O pessoal de hoje é inteligente demais para conseguir apreciar as coisas que encantaram os públicos da década de 1980 e 1990.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.