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FIM 2018 – Jeunne Femme

Crescer dói, e crescer independe da idade física. A expansão emocional e psicológica tal como um parto é doloroso e traz à luz.

Jovem Mulher retrata de maneira sincera e com uma fotografia belíssima, o recorte de uma parte específica da vida, que batiza o filme. Aos trancos e barrancos a personagem segue, faz o que pode e continua na árdua e invisível luta cotidiana para se achar e se estabelecer no mundo.

O término confuso de um relacionamento longo, problemas com os pais, falta de dinheiro, amigos não tão amigos assim, empregos que garantem o mínimo mas não são carreiras, e a nostalgia de se ter tomado escolhas e caminhos diferentes, muita confusão, um punhado de solidão e muita força e resiliência… Paula (Laetitia Dosch) personifica todas nós em algum momento.A vida de Paula nos lembra um pouco de nossas próprias, a personagem caminha da completa confusão da desilusão amorosa, à aceitação lenta e dolorosa da realidade em que se encontra.

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Empreende então a conturbada jornada de se reinventar e se reerguer. Assistimos Paula passar por todas as fases do luto, em um processo conturbado de idas e voltas nas fases de Kübler-Ross.

Um retrato intimista, que lembra os moldes de “Azul é a Cor Mais Quente” de Abdellatif Kechiche lançado em 2013. O título em francês que em livre tradução seria: A vida de Adèle, poderia muito bem ser adotado no filme de Léonor Serraille como: A vida de Paula.

Talvez o que difere as obras seja o fato da primeira ser um retrato emocional pontual de Adèle, enquanto que em jovem Mulher, o retrato é de uma geração inteira, os problemas e questões que Paula vive são globais.

O destaque do filme fica para a direção de arte: fotografia elaborada em conjunto com figurino e paleta de cor bem desenvolvidos dão o gosto especial aos olhos, tão especial quanto os olhos bicolores de Paula.

 

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