Crítica: Fúria Sobre Rodas, de Patrick Lussier
Críticas de filmes Críticas de filmes de ação

Filme: Fúria Sobre Rodas

 

drive_angry_38 Filme: Fúria Sobre Rodas

Após vários filmes frustrantes e de qualidade duvidosa, finalmente consegui desenvolver uma teoria para tentar descobrir quando um filme do Nicolas Cage vale a pena ou não. Se o ator estiver com os cabelos cortados ou com um corte decente, pode acreditar que a produção promete. Agora se ele estiver com a juba comprida, prepare-se para correr e/ou engasgar com a pipoca e a cerveja. A teoria pode ser comprovada em filmes como O Vidente e Perigo em Bangkok e o recente Fúria Sobre Rodas é mais uma produção para favorecer a tese.

Claro que devemos levar em conta que Fúria Sobre Rodas é tão tosco, mas tão tosco, que não é nada impossível se apaixonar e dizer que talvez seja um dos melhores filmes do ator em muitos anos (depois de Kick-Ass, claro). E nem digo isso apenas pela presença sensacional de Amber Heard, que faz o público masculino (e o feminino também, porque não?) se distrair e achar completamente normal a sequência de atrocidades cometidas em cena. O longa é uma trollada tão grande, que me faz lembrar de Clive Owen em Mandando Bala. Só que naquele filme, pelo menos existiam bons atores…

drive_angry_38 Filme: Fúria Sobre RodasPara você ter uma noção de como Fúria Sobre Rodas é non-sense, existe uma sequência onde Piper (Heard) descobre que seu noivo a está traindo. Quem em sã consciência trairia uma belezinha dessas? A mulher simplesmente pega a amante pelo cabelo e a “desacopla” (sempre quis usar esse termo) do noivo. Logo depois começa a distribuir porrada no sujeito. Ok. Isso não foi o suficiente? Então preste atenção na sequência do motel, quando John Milton (Cage) transa de roupas e não interrompe o sexo nem mesmo quando vários bandidos invadem o quarto. O detalhe é que o charuto de Milton permanece intacto, com direito até a um gole na garrafa de whisky e a parceira continua gemendo durante toda a cena. Não se sabe se é de tesão ou medo. Enfim. Por essas duas cenas, já é possível ter uma ideia de como Fúria Sobre Rodas alia caos, diversão, ação e comédia. O resultado é digno de qualquer filme b dos anos 80.

Dirigido por Patrick Lussier (do remake escroto – isso seria redundância? – Dia dos Namorados Macabro), um dos problemas do filme, é justamente o maior chamariz para a produção, que é o tal do 3D. Os diretores precisam perceber que o 3D não é obrigatório e que certos filmes ficam desastrosos e extramemente toscos. Tudo bem que no caso específico desse filme, existe uma licença poética para ser mal-feito, mas não precisamos exagerar. Sem deixar de falar que a versão 2D mostra claramente que o filme explora os recursos 3D com destaque excessivo e isso acaba prejudicando a qualidade da versão tradicional.

Lussier pode não ser um bom diretor. Nicolas Cage pode ter perdido o seu talento (até que alguém invente de entregar um papel dramático para ele e aquela cara de forever alone e melancolia eterna. aí ele dá a volta por cima). Os efeitos especiais podem ser toscos. O humor pode não ser tão engraçado assim. Mas conferir a Amber Heard abrindo o capô do carro com aqueles jeans (que mais parecem um cinto de tão curtos), vale toda a fúria sobre o colchão que eu senti enquanto assistia ao filme.

drive_angry_38 Filme: Fúria Sobre Rodas

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.