Filme: Fúria Sobre Rodas

 

Após vários filmes frustrantes e de qualidade duvidosa, finalmente consegui desenvolver uma teoria para tentar descobrir quando um filme do Nicolas Cage vale a pena ou não. Se o ator estiver com os cabelos cortados ou com um corte decente, pode acreditar que a produção promete. Agora se ele estiver com a juba comprida, prepare-se para correr e/ou engasgar com a pipoca e a cerveja. A teoria pode ser comprovada em filmes como O Vidente e Perigo em Bangkok e o recente Fúria Sobre Rodas é mais uma produção para favorecer a tese.

Claro que devemos levar em conta que Fúria Sobre Rodas é tão tosco, mas tão tosco, que não é nada impossível se apaixonar e dizer que talvez seja um dos melhores filmes do ator em muitos anos (depois de Kick-Ass, claro). E nem digo isso apenas pela presença sensacional de Amber Heard, que faz o público masculino (e o feminino também, porque não?) se distrair e achar completamente normal a sequência de atrocidades cometidas em cena. O longa é uma trollada tão grande, que me faz lembrar de Clive Owen em Mandando Bala. Só que naquele filme, pelo menos existiam bons atores…

Para você ter uma noção de como Fúria Sobre Rodas é non-sense, existe uma sequência onde Piper (Heard) descobre que seu noivo a está traindo. Quem em sã consciência trairia uma belezinha dessas? A mulher simplesmente pega a amante pelo cabelo e a “desacopla” (sempre quis usar esse termo) do noivo. Logo depois começa a distribuir porrada no sujeito. Ok. Isso não foi o suficiente? Então preste atenção na sequência do motel, quando John Milton (Cage) transa de roupas e não interrompe o sexo nem mesmo quando vários bandidos invadem o quarto. O detalhe é que o charuto de Milton permanece intacto, com direito até a um gole na garrafa de whisky e a parceira continua gemendo durante toda a cena. Não se sabe se é de tesão ou medo. Enfim. Por essas duas cenas, já é possível ter uma ideia de como Fúria Sobre Rodas alia caos, diversão, ação e comédia. O resultado é digno de qualquer filme b dos anos 80.

Dirigido por Patrick Lussier (do remake escroto – isso seria redundância? – Dia dos Namorados Macabro), um dos problemas do filme, é justamente o maior chamariz para a produção, que é o tal do 3D. Os diretores precisam perceber que o 3D não é obrigatório e que certos filmes ficam desastrosos e extramemente toscos. Tudo bem que no caso específico desse filme, existe uma licença poética para ser mal-feito, mas não precisamos exagerar. Sem deixar de falar que a versão 2D mostra claramente que o filme explora os recursos 3D com destaque excessivo e isso acaba prejudicando a qualidade da versão tradicional.

Lussier pode não ser um bom diretor. Nicolas Cage pode ter perdido o seu talento (até que alguém invente de entregar um papel dramático para ele e aquela cara de forever alone e melancolia eterna. aí ele dá a volta por cima). Os efeitos especiais podem ser toscos. O humor pode não ser tão engraçado assim. Mas conferir a Amber Heard abrindo o capô do carro com aqueles jeans (que mais parecem um cinto de tão curtos), vale toda a fúria sobre o colchão que eu senti enquanto assistia ao filme.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.