Garota Interrompida | Cinema de Buteco
Críticas de filmes

Garota Interrompida

por Bia
20090604193654_84760_large_filme-garota-interrompida-em-1999 Garota Interrompida

Em 1967 se você fosse diferente, se tentasse o suicidio, se tivesse alucinações ou se tivesse transtorno bipolar, você não iria para as sessões de terapia. Com certeza iria direto para um hospital psiquiátrico. Principalmente se você tivesse condição financeira para isso. E foi exatamente o que aconteceu com Susanna Kaysen, personagem de Winona Ryder, em Garota Interrompida.

Lisa foi diagnosticada como vítima de Transtorno de Personalidade Limítrofe (ou borderline) logo após uma tentativa frustada de suicídio e acaba indo para Hospital Psiquiátrico Claymoore, conhecido por internar várias “celebridades”. Lá ela conhece pessoas fantásticas, como a doce Polly ‘Torch’ Clark, que queimou seu próprio rosto com gasolina para evitar que sua mãe desse seu cachorro e Janet Webber, anoréxica irresistivelmente inteligente. Mas não são somente estas pessoas com quem ela se relaciona.

O grande destaque do filme é a sociopata Lisa Rowe, interpretada por uma sexy Angelina Jolie. Lisa foge, volta, leva choque, manipula todo mundo, sabe exatamente o que falar para ferir a pessoa (tanto que acaba incentivando o suicidio de Daisy Randone, uma garota viciada em laxante e frangos, e que foi abusada sexualmente pelo pai. Melhor interpretação da carreira de Brittany Murphy). Lisa é livre, faz o que quer e é por isso que atrai tanto a personagem de Winona, criando um laço complexo entre as duas. O laço se ata tanto que Valerie Owens, enfermeira calma interpretada por Whoopi Goldberg, acaba lembrando sempre que pode que Suzanna não é louca.

Suzanna também é sexy, mas não possui ânimo para entrar numa faculdade, manter um relacionamento ou de viver. E durante o período de 2 anos que ficou no “manicômio”, acaba aprendendo a se reencontrar. O filme é pesado, quase todas as frases são quotes memoráveis e todos os diálogos convidam o espectador a refletir. Nada é em vão. E é essa a moral mais preciosa desta história. Se Suzanna não fosse internada naquele hospital, não conheceria aquelas meninas e não pensaria sobre a vida que estava levando e provavelmente não escreveria o best seller que originou este filme que marcou muita gente (esta história é real, a Suzanna realmente existiu e adivinhe, ela não curtiu o filme.).

Só para terminar, Angelina Jolie ganhou o Oscar de melhor atriz, em 1999. Merecidissimo, um papel memorável para alguém que hoje em dia se contenta em adotar milhões de crianças e fazer filmes esquecíveis de ação.

Bia

Comentários

  1. Ahhh a saúde mental. Tema tão mal explorado pelos filmes que faz com que qualquer um que vê um filme se torne expert em tal ou qual doença.

    Na Psicologia o povo tem uma necessidade de diagnosticar as coisas que cabem à psiquiatria, e eu ouvi tanta barbárie sobre esse filme/essa história período passado quando umas meninas apresentaram um "estudo de caso" sobre esse filme, que eu fiquei muito feliz em ler um post coerente! Hahahaha! E com boas ressalvas sobre o filme!

    Eu gostei do filme e a história é bem legal, mas foge um pouco da "real realidade" dos hospitais psiquiátricos. Mas o dinheiro compra "tudo", né? Só não compra a sanidade.

  2. na psicologia o povo??? q povo fia? cuidado como generaliza as coisas!!!! tá falando comos e tds os psicologos fossem burros q gostam de rotular… alias a ppria psiquiatria tem q tomar mto cuidado com certos diagnosticos! de q área vc é, já q fala com tanta propriedade?

  3. achei mtoooo desnecessario esse "o povo". acho que conhece mto pouco sobre a psicologia. vai ler um pouquinho sobre Lacan para ter uma leve impressao sobre oq se trata. sei q mta gente ainda acha q é coisinha de garotinha, q é aconselhamento, auto ajuda…te desafio a ler os seminarios de lacan antes de virar e falar o povo lá da psicologia… e entenda q vai mto além de simplesmente utilizar um diagnóstico. psiquiatria e psicologia hj em dia caminham juntas… já q falou sobre saúde mental…compreenda oq é saúde mental.

  4. ET,

    o espaço é aberto para discussões sobre cinema e cabe a cada uma das pessoas que comentam, utilizar seus conhecimentos de outras áreas para complementar o entendimento dos filmes e/ou debater sobre algo relacionado, no caso a psicologia.

    o que a juliana falou (e eu concordo) foi sobre a mania que pessoas de todas as áreas tem (na comunicação, tem muito publicitário que se mete a jornalista, por exemplo) de entrar no campo de outros profissionais.

    o meu conhecimento parco sobre psicologia e psiquiatria me diz que são coisas diferentes. ou seja, não cabe aos psicólogos se aventurarem a se passarem por psiquiatras. a juliana não falou nada demais e muito menos ofendeu área nenhuma, apenas apontou o que acontece de verdade no campo profissional.

    mas como eu disse logo acima, aqui é um espaço público. se você pode acrescentar alguma informação na discussão, tem total liberdade e o meu convite para fazê-lo. certamente, poderemos ter um papo interessante… principalmente sobre um filme tão pesado quanto GAROTA INTERROMPIDA…

  5. caro 2T, sim, psiquiatria e psicologia sao duas áreas distintas, atuam de diferentes formas, mas ambas estudam saúde mental. entao, acho q nao houve problema algum no caso q ela citou, sobre meninas de Psicologia que fizeram um estudo de caso sobre o filme. geralmente, psicologos e psiquiatras trabalham em conjunto em casos assim. Tanto, que hoje em dia, os proprios psiquiatras costumam encaminhar pacientes para psicoterapia tb. Fale para juliana se informar sobre isso. no CAPS, por exemplo, todos esses profissionais trabalham em conjunto. já se foi o tempo onde os psiquiatras simplesmente fechavam um diagnostico, medicavam e ponto. acho q o filme tb discute isso, o qto esse tipo de tratamento era eficaz… por isso, vim dizer que o trabalho do psicologo aqui é mto importante sim. assim como de outros profissionais que lidam com saúde mental. Achei um grande preconceito dizer que somente a psiquiatria tem dominio sobre o assunto, enqto diversos profiossnais estudam mto e atuam na área de saúde mental. e importante até pq faz parte do pprio contexto do filme… eles diagnosticavam e ponto… mal sabiam oq fazer com isso…
    abçs!

  6. ET, antes de mais nada, eu estou no 8º período de Psicologia e trabalho com saúde mental, dentro de um hospital psiquiátrico.

    O que eu quis dizer é que muita gente se apropria de conceitos (e na Psicologia de diagnósticos, o que é mais "perigoso" ainda), tanto da Psicologia como da Psiquiatria e em qualquer área, como o 2t exemplificou falando da Comunicação, e acaba fazendo mal uso disso. Eles se utilizam de conceitos e diagnósticos pra rotular pessoas, esquecendo de levar em consideração a subjetividade e a vivência de cada um.

    No caso, as meninas ficaram insistindo em encaixar a personagem Lisa num diagnóstico de personalidade antissocial/sociopatia, e deixaram de analisar os outros aspectos da personalidade da personagem, as questões que fizeram dela o que ela é, independente de ser doente mental ou não.

    O "povo" foi só um jeito de falar, não queria ofender/diminuir Psicólogo algum, e muito menos privilegiar a Psiquiatria, que mesmo estando mais humanizada, ainda continua presa à medicalização do doente mental e que isso basta. Poucos são os psiquiatras que se importam com a fala do paciente, poucos são os que se importam com a qualidade de vida do paciente…infelizmente. E isso eu digo por experiência própria, porque nem sempre trabalhar em conjunto significa trabalhar em equipe.
    Espero que tenha sanado todo e qualquer mal entendido que tenha surgido com o meu comentário.
    Foi uma crítica à banalização do diagnóstico em saúde mental.