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Indie Game

 documentário sobre games

NÃO EXISTE NENHUMA BOA ADAPTAÇÃO DE VIDEOGAME PARA OS CINEMAS, isso é um fato. Mas, ajudando na balança, existem dois excelentes documentários sobre o mundo intrigante dos gamers: The King of Kong: A Fistful of Quarters e o recente Indie Game.

Enquanto o primeiro mostra a vida de dois competidores completamente insanos de Donkey Kong (o primeirão, ainda com o Super Mario no elenco principal), Indie Game: The Movie se concentra numa área mais interessante e tocante: os bastidores da produção de jogos independentes.

Dirigido pelos estreantes Lisanne Pajot e James Swirsky, o longa acompanha o período que antecedeu o lançamento de três importantes e premiados games do cenário indie: Super Meat Boy, Fez e Braid. Sem ter o mesmo capital de grandes produtoras, como a EA ou uma Ubisoft, os caras que se arriscam a trabalhar durante meses (ou até anos) na garagem de casa para criar um game de qualidade, acabam lidando com problemas que muitas vezes são maiores do que o próprio home office, como a pressão de investidores, a cobrança do público interessado em ver o projeto pronto o quanto antes e a grana cada vez mais escassa. E é essa tensão verdadeira que logo tira de foco a fantasia, a diversão e as cores do mundo dos videogames e coloca o filme e os espectadores com o pé na realidade.

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De um lado temos Jonathan Blow, programador e designer (uma mistura raríssima) responsável por Braid, game vencedor na categoria Game Design no Independent Games Festival de 2006. Blow mostra como é a experiência de lidar com um projeto mega hypado antes mesmo de seu lançamento e os problemas que esta situação pode causar. No outro canto temos Phil Fish, um estressadíssimo designer que de repente se encontra tendo que levar sozinho o projeto de Fez assim que seu sócio resolve terminar a parceria bem no meio do caminho. E por fim temos Edmund McMillen e Tommy Refenes, criadores de Super Meat Boy. Enquanto McMillen se mostra um cara mais criativo e calmo, Refenes é o tipo do programador anti-social, que chega ao ápice do pânico quando vê seu produto quase sendo sabotado pelo pessoal da Microsoft bem no dia do lançamento.

Indie Game aparentemente é um filme de nerds, feito para nerds. Mas não se engane, o longa é muito mais que isso. Apesar de girar em torno do universo dos Xbox e Playstations, o barato dele é, desculpe o trocadilho, jogar na cara do espectador o lado humano por trás do universo virtual. O filme mostra todo o desejo de sucesso e de realização pessoal, igual para todos as pessoas, mas hoje em dia cada vez mais possível para os undergrounds (o que seria praticamente impensável antes da internet e de sistemas como o Steam, que aproxima e facilita o caminho entre os produtores e o público).

Com uma fotografia primorosa, digna dos melhores curtas do Vimeo, o longa é um puta retrato de uma fatia do mundo atual, que prefere o freela, que trabalha em casa e bota em primeiro plano a realização própria antes de ter o nome inserido na folha de pagamento de alguma empresa. Várias pessoas se sentem inspiradas quando assistem a filmes como A Rede Social. Para todas elas, Indie Game é mais do que uma indicação.

indie game poster

Texto de autoria de Kelson Douglas, editor do site Altamente Ácido

OBS: Você não irá encontrar o filme para locação facilmente por aí, mas caso queira pagar pelo download, ele gira em torno de 2 ou 3 Dilmas Imperiais pelo Steam. 

 Nota:[cinco]

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