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Jovens Adultos

 

EM 2008 A PARCERIA JASON REITMAN/DIABLO CODY REVERBEROU POSITIVAMENTE NA CRÍTICA E NO CIRCUITO CINEMATOGRÁFICO, JÁ QUE COM JUNO, TODO UM FILÃO DE FILMES COM ESTILO BEM ESPECÍFICO TEVE SUA LEGITIMIDADE ABRAÇADA PELA GRANDE INDÚSTRIA, E EXTRAPOLOU OS CÍRCULOS ALTERNATIVOS A QUE ESTAVA FADADO. Reitman já havia dirigido o sensacional Obrigado por Fumar e Cody acabava de estrear como roteirista, papel que iria exercer pós-oscar com o instável Garota Infernal. Depois do também bem sucedido Amor sem Escalas, a parceria é retomada no surpreendente Jovens Adultos. De todos estes projetos o menos celebrado e com certeza o mais consistente.

A história é improvável, mas o tipo de protagonista é reconhecível quando se trata das escolhas de Jason Reitman: anti-heróis sempre foram seu forte. De uma forma ou de outra ele transforma pessoas que poderiam ser simplesmente insuportáveis, em seres humanos, gostemos deles ou não: um empresário da indústria tabagista, uma adolescente que se julga superior e excessivamente madura, um homem responsável por demitir funcionários de  empresas, e no caso mais recente uma ghost writer de livros infanto-juvenis (daí o título original, uma alusão à este estilo literário) que decide voltar  a sua cidade natal para reconquistar seu amor da adolescência.

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Se a princípio este enredo parece ser mote para romances água com açúcar, a caracterização da personagem concebida por Cody não deixa dúvidas de que se trata justamente do contrário. Mavis Gary (Charlize Theron) é uma mistura de looser com bitch: desde a primeira vez que a vemos em cena, em seu apartamento repleto de impessoalidade e desorganização, Mavis quer acreditar que é feliz e bem sucedida. Não o é. Seus livros não fazem mais o sucesso de sempre, ela é convidada apenas para escrever episódios de uma série de TV sem graça, e já está bem acima dos 30 anos e ela não é mais a rainha da escola. O retorno a cidade natal se dá quando através de um email ela descobre que o namorado da adolescência (Patrick Wilson) agora é casado e tem uma filha recém nascida. A volta se dá não apenas para conquistá-lo novamente, mas para destruir seu casamento. Mavis é dessas.

Charlize Theron consegue entregar uma interpretação na medida para a natureza de Mavis: com uma obsessão pelo passado que beira a loucura, ela não percebe que aqueles olhares que antes atraía, deixaram de ser invejosos, dando lugar ao asco ou à indiferença. Só a acolherá aquele que era vítima de bullyng nos tempos de colégio e com que ela descobre ter muito em comum: o ótimo Matt Freehau de Patton Oswaltt. Os dois serão companheiros constantes de porre, sinal da visível falta de preparo para lhe dar com os problemas e escolhas.

A volta à cidade e uma constante insistência em (auto) afirmar sua bem sucedida vida fora daquele lugar onde nasceu, faz de Mavis uma figura insuportável, pela qual o espectador nutre certo tipo de pena. Sempre com a maquiagem impecável (ou excessiva), Mavis demora a perceber que sua festa acabou, e quando se dá conta disso pode ser o momento certo para redenção e para o reconhecimento dos seus próprios erros. Mas Diablo Cody acerta justamente neste momento, quando não recorre às soluções fáceis preferindo a coerência com toda a história que vinha sendo desenvolvida: o final é acido de tão possível.

Algumas pessoas não aprendem com seus erros, ou simplesmente são tão voltadas para si mesmas que beiram o despreparo para relacionar-se. É disso que fala Jovens Adultos: há pessoas más no mundo. E elas podem ser o personagem principal de um filme, e ser a Charlize Theron. Humor negro e politicamente incorreto no cinemão norte americano sempre são bem vindos. Genial.

 

 

Título original: Young Adult

Direção: Jason Reitman

Produção: Diablo Cody, Lianne Halfon, Mason Novick, Jason Reitman, Russell Smith, Charlize Theron

Roteiro: Diablo Cody

Elenco: Charlize Theron, Patrick Wilson, J.K. Simmons, Elizabeth Reaser, Emily Meade, Patton Oswalt, Collette Wolfe, Brady Smith,Louisa Krause, Jenny Dare Paulin

Lançamento: 2012

Nota:

 

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