Crítica: Lolo: o Filho da Minha Namorada (2015) | Cinema de Buteco
Comédia Críticas de filmes

Crítica: Lolo: o Filho da Minha Namorada (2015)

JULIE DELPY JÁ É BEM CONHECIDA POR ATUAR EM FILMES que provocam forte impacto no público que preza por bons diálogos e reflexões (Trilogia do Antes), além de dirigir comédias leves e despretensiosas, como 2 Dias em Paris.

Em seu novo trabalho como diretora, Lolo: o Filho da Minha Namorada, Delpy atua e trata de modo cômico e singelo um assunto sério, o ciúme do filho.

Violette é uma mulher na faixa dos 40 anos, elegante, bem-sucedida e independente. Em uma viagem com a divertida Ariane (Karin Viard, de A Família Bélier), ela conhece o pacato Jean-René (Danny Boom, de A Riviera Não é Aqui), com quem se dá bem e começa um relacionamento.

Lolo-Julie-Delpy-2 Crítica: Lolo: o Filho da Minha Namorada (2015)
Tudo vai muito bem, até que Jean René é apresentado a Eloi, Lolo para os íntimos (Vincent Lacoste, de Camille Outra Vez), o filho adolescente de Violette. Pior do que ter como enteado uma criança visivelmente mimada e egoísta é ter que lidar com um rapaz dissimulado e manipulador. Eloi se faz de bom garoto e finge aceitar o namoro da mãe, mas está disposto a fazer com que Jean René fuja o quanto antes e não poupa esforços para vê-lo longe de Violette o mais rápido possível.

Pode parecer uma comédia boba, mas a história leva os personagens à situações divertidas e a relação entre eles flui de maneira natural. A surpresa maior, porém, encontra-se nos limites de Lolo. O que parecia ser apenas uma birra de um garoto criado somente pela mãe toma grandes proporções e Lolo poder ser descrito como uma pessoa perversa e com complexo de Édipo. Enquanto estamos acostumados a ver armadilhas e brincadeiras bobas vindo de crianças que não sabem lidar com a vida adulta dos pais, Lolo leva suas crenças a um outro nível, prejudicando Jean-René de modo que passa do engraçado.

Lacoste interpreta com grande habilidade seu personagem e seu rosto enigmático dá a dose certa de falsidade a Lolo. Danny Boom também não faz feio e carrega o peso do homem que começa a fracassar em tudo o que é importante para si.  

Talvez para não optar por um modo bruto de tratar de um assunto tão delicado, Delpy escolheu uma saída “fácil” ou covarde para o desfecho. É compreensível, já que (aparentemente) a intenção era entregar ao público uma comédia sem grandes reviravoltas e que não exige muitas reflexões. O objetivo foi atingido, Lolo: o Filho da Minha Namorada é divertido, mas para aproveitar melhor a história é indicado não levar a sério o comportamento do rapaz do título.

Lolo-Julie-Delpy-2 Crítica: Lolo: o Filho da Minha Namorada (2015)

Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.