Louca Escapada

por Thaís

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LOUCA ESCAPADA É UMA OBRA SENSACIONAL, que mistura tudo o que é bom – e eu gosto. Foras da lei que fogem da polícia, roubam, sequestram… Tudo por uma boa causa: resgatar o próprio filho.

Eu vou explicar rapidinho: Clovis consegue fugir da cadeia no fim da penitencia graças à um plano de Lou Jean, sua esposa, que também estava presa, mas cumpriu a pena. O motivo? O bebê Langston, que o serviço social encaminhou para um lar adotivo. Desde então, o casal inconsequente resolveu cair na estrada com a carona dos pais de um ex-colega da prisão. Roubam o veículo, sofrem um acidente, mas logo sequestram o policial, que segue para Sugarland. Por ser um crime federal, toda a corporação do Texas é chamada para dar reforço à situação, e a coisa começa a complicar.

Adrenalina, ternura e bom humor são as bases deste filme maravilhoso. Exageros nos excesso de viaturas e cobertura da imprensa, que fazem de tudo até para conseguir uma entrevista com Langston, que tem apenas dois anos de idade. Cenas de afeto são frequentes. É comum ver os policiais sensibilizados com a situação do casal, principalmente em relação a Lou Jean. A primeira cena marcante neste sentido mostra um gesto meigo de Lou Jean ao cumprimentar o capitão que comandava a operação. Spielberg mostra a visão de Maxwell ao assistir a cena de afeto pelo espelhinho retrovisor.

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O casal de foras da lei, na verdade, não são criminosos de primeira. Eles cometeram pequenos furtos em lojas, nunca tiveram contato com uma pistola antes, estavam na prisão por estes pequenos crimes. É possível assistir o despreparo do casal em ação durante o filme inteiro. Convenhamos, formam um casal, que tem um filho e que não está sob a guarda deles, tinham uma vida toda pela frente para serem felizes juntos e se amam muito. Para viver este conto de fadas, eles foram muito além de suas próprias limitações. O caso foi acompanhado pela imprensa durante toda a viagem, com isso, eles conseguiram se tornar populares no país inteiro. Por onde passavam, havia uma festa e apoio de todos, que motivavam Lou Jean a seguir adiante. Ela ganhava mimos como acessórios de cabelo, flores e até brinquedos para Langston.

Conhecer este casal através das lentes de Spielberg é uma experiência apaixonante. Cativantes, cheio de erros, amantes e em busca do fruto deste amor tão grande. Mesmo com tudo o que fizeram de errado, é impossível não querer fazer parte daquelas “plateias” que motivaram o casal a conquistar o seu objetivo.

Se comparados à outros Road Movies, principalmente Encurralado, que também é dirigido por Spielberg, a diferença dos enredos é grande. Contanto, não se prenda a outros filmes deste gênero para predefinir Louca Escapada. Encurralado é apenas desesperador, enquanto Louca Escapada te “agarra” para dentro da história e te deixa preso até a hora dos créditos finais, como se Spielberg te puxasse pelos colarinhos para dentro da tela. Encurralado parece apenas um ensaio do diretor, enquanto Louca Escapada é a arte final. Sendo fã deste gênero tão popular nos anos 1970, posso concluir que o seu roteiro é um dos mais caprichados e a sua narrativa é uma das mais bonitas que já vi. Um pouco mais dramático que Corrida Contra o Destino (1971), por exemplo, que também é sensacional e desesperador. Talvez seja mais dolorido pelo simples fato de ter uma mãe e um pai em busca do seu filho.

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Tenho uma relação muito sentimental com este filme. Antes de assisti-lo, já pude prever o quanto eu sofreria. É impossível não se colocar na pele de Lou Jean, que mesmo com tantos erros, só quer ter o seu bebê de volta. É uma história linda, que todos precisam conhecer e se emocionar. Spielberg aprendeu muito bem a arrancar fortes emoções de sua  plateia em seu primeiro filme para o cinema. Vale mencionar que o roteiro é baseado em fatos reais que ocorreram em 1969, quando Robert e Ila Fae Dent fizeram tudo o que é contado no filme e mais um pouco.  É tudo simplesmente lindo, cheio de imagens bonitas, com um excelente trabalho de filmagem e fotografia.

Mais que recomendado. Quatro caipirinhas bem docinhas! Um brinde a Steven Spielberg e o seu dom de emocionar!

Veja o trailer:

Título original: The Sugarland Express
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Spielberg, Matthew Robbins, Hal Barwood
Elenco: Goldie Hawn, Willian Atherton, Ben Johnson, Michale Sacks
Lançamento: 1974
Nota:[quatro]

Thaís

Fã de filmes com perseguições, porrada, mafiosos, sangue, carrões antigos e tudo o que não presta. Mãe da Malu, publicitária, cinéfila e se mete a escrever algumas críticas aqui no Cinema de Buteco.