Martyrs (2008)

Quem acompanha sempre os últimos lançamentos de filmes de terror, já deve saber que Espanha e França são dois países responsáveis pelos trabalhos mais interessantes dos últimos tempos. Foi direto da Espanha que REC surgiu, ganhou fama e até mesmo uma versão norte-americana bem capenga. O filme Martyrs do diretor Pascal Laugier, parece ir no caminho oposto e soa como uma versão francesa de O Albergue (de Eli Roth).

A primeira coisa que pode ser dita sobre o longa-metragem, é que ele não deve ser visto por quem tem estômago fraco. Pouco depois da introdução, uma das personagens faz o maior massacre com uma família aparentemente inofensiva. Usando uma espingarda e com muita raiva no coração, Lucie (Mylène Jampanoï) ataca até mesmo o casal de filhos adolescentes, o que mostra o quanto o cinema europeu não se sacrifica para obter uma censura mais abrangente e lucrar mais. Todo mundo sabe que Hollywood faz o possível para que seus filmes tenham a censura mínima e se tratando de filmes de terror, isso é quase inadmissível.

A desculpa para a chacina é justificada com a acusação de que aquela família foi responsável pelo sequestro e tortura da jovem Lucie durante sua infância. Ela nunca conseguiu se recuperar e cresceu atormentada pelos fantasmas do passado. Sua amiga Anna (Morjana Alaoui) tenta ajudá-la, mas acaba se metendo em grandes apuros depois de descobrir que a versão francesa da família Hewitt era apenas uma fachada para um grupo de maníacos em busca de mártires femininas, dispostas a compartilhar a experiência de quase morte.

Apesar de não envolver nenhum tipo de prazer perturbado como os apresentados em O Albergue, a existência de um grupo poderoso liderado por pessoas de alta classe social e que procura encontrar suas respostas mutilando e destruindo vidas acaba se parecendo um pouco com a premissa do roteiro de Eli Roth. Para algumas pessoas a tortura em ambos os filmes é gratuita e visa apenas o “prazer” das personagens, mas a verdade é que certos filmes não são indicados para certos tipos de pessoas. Martyrs é um exemplo.

São três caipirinhas para o filme que consegue ser quase tão violento quanto Frontieres.

  • Kahlil Affonso

    'Martyrs' é uma verdadeira obra-de-arte do cinema de horror. Extremamente original, o filme aborda temas raramente abordados com seriedade, principalmente em filmes de terror. Apesar de violento ao extremo, acho que o excesso combina com a proposta do roteiro. 'Frontere(s)' tb é outro grande exemplo do excelente cinema de horror frances, os melhores no mercado atualmente!

  • Ana

    É por isso que só leio sinopse e comentário sobre um filme depois que o assisto… Se eu tivesse lido antes teria ficado morrendo de raiva. Você contou o mistério do filme na sua crítica!!!!

    Enfim, não o vejo como um filme de terror e sim como um drama que utiliza de violência e suspense… Mas eu gostei muito!

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.