Nowhere Boy

“You be luck to get a job at the docks, cause at the moment you’re going nowhere” É assim que John era visto pelo diretor do colégio onde estudava , e provavelmente era com essa visão limitada que muitos definiam aquele que anos mais tarde viria a se tornar um dos maiores mitos da música pop: Um jovem problemático distante de um futuro brilhante. A verdade é que antes de ostentar a fama de bom moço que o levou ao sucesso internacional junto com Paul, Ringo e George, John era o famoso troublemaker.
O filme de Sam Taylor Wood é baseado na obra de Julia Baird irmã de John por parte de mãe, encarregada também da supervisão do roteiro. A cinebiografia trata da adolescência de John, seus 15 e 20 anos, a descoberta da música, sexo, tentativas de ser o novo Elvis e o começo da amizade com Paul e George. No entanto, o foco da produção é mesmo a relação do jovem com sua mãe biológica Julia e com a Tia Mimi, que o criou desde os seis anos de idade. O protagonista disso tudo é Aaron Jhonson [ na minha opinião bonito demais para o papel]
A primeira cena de Nowhere Boy é um dos poucos flashs que Lennon tem de sua infância, uma provável discussão, interrompida pelo chamado de Mimi, interpretada com muita classe por Kristin Scott Thomas. As dúvidas sobre o paradeiro dos pais verdadeiros geram em John uma postura defensiva, pouco explorada no filme. Uma das relações mais fortes que ele tem é com o tio George que morre antes mesmo de o ver aprender a usar a gaita que ele deu de presente. Mimi é o estereótipo da mãe superprotetora, sempre preocupada com os horários e com o fato de John esquecer constantemente dos óculos.
A morte do tio George abre espaço para Julia reaparecer na vida de Lennon. Ele acaba descobrindo que durante boa parte de sua vida a mãe biológica esteve morando por perto, e que ela tem mais duas filhas e um marido. Julia é o oposto de Mimi, efusiva, carinhosa, é ela que apresenta o rock n’roll para o garoto de 15 anos, e suscita nele o desejo de formar uma banda.
Confrontado com o estilo de vida completamente diferente da mãe, John vive um conflito latente, entre essa nova e excitante convivência e a ideia da ausência com a qual ele teve que conviver durante anos. As influências das duas mulheres na formação da personalidade de Lennon é o que mais vale a pena no filme, o que pode decepcionar um pouco os fãs dos Beatles. As referências mais proeminentes do fab four, aparecem só a partir de metade do filme, quando ele conhece Paul e George, até então a banda se chama Quarrymen.
É quase impossível associar a imagem que temos de John Lennon: um pacifista, intelectual, cheio de composições que moveram gerações, à figura rebelde que vemos retratada por uma hora e meia em Nowhere Boy, mas em parte esse é o papel de uma cinebiografia, desmistificar imagens. Um desafio dos grandes já que existem muitas pretensões a serem atendidas, desde o diretor ao público. O recorte da vida de Lennon tem uma trilha sonora sensacional, destaque para Mother que toca nos créditos, além de ser muito bem filmado, mas exatamente pelo nível da expectativa é mais um da categoria oito ou oitenta.

Título Original: Nowhere Boy
Gênero: Biografia, Drama, Musical
Duração: 01 hs 38 min
Ano de Lançamento: 2009
Estúdio: Ecosse Films / Film4 / UK Film Council / Aver Media / North West Vision
Distribuidora: Imagem Filmes
Direção: Sam Taylor-Wood
Roteiro: Matt Greenhalgh e Julia Baird
Produção: Robert Bernstein, Kevin Loader e Douglas Rae

Redação do Buteco

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