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O Artista

o artista oscar 2012

O ARTISTA É UMA PRODUÇÃO CAPAZ DE DIFERENCIAR PESSOAS QUE APENAS AMAM ASSISTIR AOS FILMES DAQUELAS QUE SÃO CINÉFILAS. A experiência de conferir a elogiada produção nas telas do cinema oferece uma maneira deliciosa de se apaixonar pela sétima arte. De sorrir com as danças, com as piadas, de descobrir o que é a tal “magia dos filmes”, de simplesmente mergulhar na história e por aproximadamente duas horas se esquecer que existe um mundo colorido e falante do lado de fora do cinema.

Claro que assim como aconteceu com A Árvore da Vida, o longa-metragem em preto e branco e mudo poderá sofrer certo preconceito do grande público, mas não é nenhuma novidade observar uma obra genial sendo considerada “chata”, “sem sentido” ou outras pérolas dignas de mentes condicionadas com blockbusters, como Amanhecer – Parte 1 ou Transformers 3. Então, novamente, caro leitor do “buteco” mais cinéfilo da internet, O Artista é uma chance de você poder descobrir o tipo de relação que você tem com o cinema. Será amor de verão ou um casamento de caranguejos?

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A produção de Michel Hazanavicius não oferece uma história muito distante das que o público está acostumado, mas é justamente nesse ponto que as discussões envolvendo diretores e roteiristas encontram a sua conclusão: a trama é bobinha, apesar de um roteiro muito bem construído, o que faz o filme é a direção de Hazanavicius. Ele reforça a máxima que Heitor Valadão, do site Cinema em Cena, afirmou: “Um diretor bom salva um roteiro ruim, mas um diretor ruim estraga um excelente roteiro.” Das várias referências aos clássicos de Hollywood existentes no filme, talvez a mais evidente seja Cantando na Chuva, de Gene Kelly. Até mesmo pelo tema, que também apresenta a introdução do cinema falado e a forma como nada mais foi a mesma coisa se tratando de filmes.

O Artista conta a história de um galã do cinema mudo e que fica perdido depois que os produtores passam a preferir investirem em filmes falados. George Valentin (Jean Dujardin, em uma atuação espetacular) se nega a abraçar a novidade e insiste em continuar produzindo filmes mudos, até perceber que a novidade veio para ficar e ele precisa se adequar, ao mesmo tempo em que a sua jovem admiradora Peppy Miller (Bérénice Bejo) começa a fazer sucesso e virar uma grande artista de Hollywood.

A trilha sonora de Ludovic Bource é de uma competência arrepiante. Ela tenta transmitir as emoções sentidas pelos personagens e se torna parte essencial do desenvolvimento da história, praticamente roubando o lugar da voz e oferecendo uma maneira alternativa de se comunicar com o público. Bource, que é colaborador habitual dos trabalhos de Hazanovicius, se influenciou muito nos trabalhos de grandes artistas, como Bernard Herrmann (Cidadão Kane), Charles Chaplin e Max Steiner (Casablanca). Sem dúvidas, uma das trilhas sonoras mais marcantes dos últimos anos. É preciso mencionar uma sequência em especial, onde Valentin tem um pesadelo e a música desaparece, dando lugar para os sons diegéticos (os sons que estão ao redor do personagem, como o copo batendo, a chuva etc). O choque é incrível e é fácil sentir a mesma angústia que o personagem sente naquele mundo barulhento.

Enfim, O Artista não é apenas uma produção para ser vista, mas que merece uma completa atenção de nossos ouvidos. Especialmente pela participação do simpático cachorrinho, que faz jus à fama de que o animal é o melhor amigo do homem: inseparável, o cachorro Uggie é um bônus para sair do cinema com a sensação de ter assistido um filme realmente especial.

Título original: The Artist
Direção: Michel Hazanovicius
Roteiro: Michel Hazanovicius
Elenco: Jean Dujardin, James Cronwell, John Goodman, Uggie
Nota:

 

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