Crítica: O Caçador de Trolls

UM DOS FILMES MAIS DIVERTIDOS DE 2011, The Troll Hunter já apareceu aqui nas páginas do Cinema de Buteco. Na ocasião, a produção estava em exibição durante o Festival do Rio, mas acabou com o lançamento anunciado direto para DVD no Brasil. Uma pena, já que provavelmente será um daqueles filmes que a pessoa olha na locadora e esnoba: “Isso aqui deve ser uma porcaria!” Ledo engano. Ainda que seja realmente tosco, o filme norueguês foi um dos grandes destaques do gênero terror em 2011.

O leitor mais atento e que conhece O Caçador de Trolls pode se perguntar: “terror? Mas o filme não é de terror, oras!” Mas por ser baseado no conceito de found footage e ainda por cima apresentar as criaturas conhecidas como Trolls, não é completamente errado dizer que tem uma pegada de filme de terror sim. O mais curioso é descobrir que O Caçador de Trolls foi produzido como uma paródia para as produções sci-fi e de horror.

Ao abandonar o uso de trilha sonora, o diretor/roteirista André Øvredal criou uma atmosfera tão realista, que o espectador é inserido na trama de uma forma intensa, chegando quase a acreditar na veracidade dos acontecimentos narrados. A convincente (e divertida) performance dos atores, especialmente do tal caçador de Trolls, é outro detalhe marcante do longa-metragem. A condução quase irresponsável e descompromissada, gerou um exemplo raro de entretenimento. Você sente diversas coisas ao longo do filme. Vontade de rir, sustos, tensão, é quase como se virasse testemunha daquela louca caçada atrás dos ameaçadores Trolls que incomodam a Noruega.

O Caçador de Trolls conta a história de um grupo de estudantes que passa a duvidar das autoridades norueguesas, que afirmam estar tudo bem e que existe um maluco exterminando todos os ursos do país. Desconfiados de que poderia haver algo além disso na história, os jovens conhecem o exótico Hans. Logo descobrem que ele não é o caçador de ursos, mas que seu ofício é evitar que Trolls fujam de seu território. Hans protagoniza uma das melhores cenas do filme, quando surge correndo e gritando: “Troll!!!” Se havia alguém distante do filme, é exatamente nesse ponto que Øvedral consegue fisgar o público.

Os efeitos especiais não são lá grandes coisas, ainda que seja bem interessante a maneira como as criaturas são apresentadas. Por melhores que sejam os personagens, por mais divertidos que seja a construção dos diálogos, o verdadeiro atrativo do filme é descobrir um pouco mais sobre os Trolls enquanto se diverte com as situações mais bizarras enfrentadas pelos estudantes em busca de encontrar a verdade.

 

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.