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O Dia da Mulher, Guerra ao Avatar, ou Sobre o Oscar 2010

A cerimônia do Oscar que se realizou ontem, teve momentos deliciosos. Ver Bárbra Streisand entregando o Oscar de Melhor Diretor (a) pra Kathryn Bigelow foi emocionante: “the time is come” disse a diva antes de anunciar o nome da vencedora. É algo a se pensar não é mesmo? Após 82 edições de Oscar SÓ AGORA uma mulher ganha como diretora. Falta de méritos? Jane Campion, Sofia Coppola e Sarah Polley (só pra citar minhas preferidas) não nos deixariam pensar tal coisa.

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Bonitona ela não?

Será o cinema um meio machista? Ou será que ele apenas reflete os valores da realidade que pretende filmar? Mais que isso: o que o Oscar 2010, e seu quadro de vencedores nos aponta sobre o que Hollywood quer de seus realizadores?

Guerra ao Terror não conseguiu verba americana pra ser realizado. Só foi feito graças a patrocínio francês, e quem viu o filme pode imaginar o porquê. Já Avatar com sua mensagem chata/repetitiva/politicamente correta custou uma fortuna e não teve problemas pra sair do forno de 10 anos que é a cabeça de James Cameron. Ambos conseguiram o que queriam: Guerra ao Terror se afirmou como uma tomada de posição possível e aceitável nos padrões hollywoodianos (só porque também pode dar dinheiro sem deixar de ser cerebral, afinal a indústria não deixa de ser indústria não é mesmo?). Avatar conseguiu dinheiro e se notabilizou pelas inovações tecnológicas que o cinema agora pode proporcionar.

É muito mais que disputa entre ex-marido e ex-mulher! É disputa de cérebro x dinheiro! Foi emocionante ver que a academia fez a escolha certa e não repetiu o fato acontecido em 1997 quando Titanic venceu (o fantástico) Los Angeles: Cidade Proibida. O fato é que Guerra ao Terror é um soco no estômago e um filme belíssimo (mesmo que Wonka não pense isso), e embora não seja melhor que Bastardos Inglórios, é um sinal de que ainda há esperança pra Academia.

Além de ver Bárbra sensacionalmente linda entregando o Oscar pra Kat, estes foram, pra mim, outros pontos altos do Oscar desse ano:

– A tiração de onde de Steve Martin e Alec Baldwin em torno de Atividade Paranormal (na verdade essa foi a cerimônia em que mais ri);
– A homenagem aos filmes de terror foi bonita e merecida. Assim como a apresentação dos indicados a melhor trilha sonora (que por sorte premiou Up! e sua bela musiquinha que nos faz chorar loucamente sempre);
– Kirsten Stewart que parecia ter acabado de ser chupada, por um vampiro claro, ao aparecer ao lado de Taylor Lautner pra apresentar um prêmio fazendo o tipo “sou uma diva dos adolescentes rebeldes e apaixonados e não posso usar um Monique Lhullier sem parecer ter sido banhada em pó de mico”,
– O discurso de apresentação de melhor ator e atriz: apelo sentimental que deu certo e proporcionou belas homenagens vindas dos colegas de trabalho dos indicados. Sem falar em Sandra Bullock ganhando que achei o máximo. Não sei se ela merece. Eu particularmente adoro a Carey Mulligan (que estava de Prada, se é que isso importa), mas ela merecia ter um desses na estante pela sua trajetória com alguns acertos, outros tropeços e principalmente muuuito dinheiro em hollywood.
– O choque de ver A Fita Branca injustiçado. O melhor filme do ano? Nem o de língua estrangeira levou… Pena. Mas Hanneke já tem a Palma de Ouro.

Enfim… The Woman Power tá na moda até no Oscar, então Feliz Dia das Mulheres (parafraseando agora Almodóvar) pra todas as diretoras, atrizes, atores que vivem mulheres, e pras leitoras e escritoras desse querido Blog! Um beijo a todas!

No mais é isso. Adoro o Oscar, fico até tarde assistindo sempre. E eu ainda acredito em Quentin. Quem sabe na próxima?

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