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O Fantastico Senhor Raposo

Quem acompanha o Cinema de Buteco há mais tempo já deve ter percebido que raramente falo de animações (a última foi 9 – A Salvação). Também falo menos de filmes nacionais, mas é que a ideia era ter uma pessoa especifica para dar destaque para as produções brasileiras. De qualquer forma devo dizer que não é por não gostar desses filmes. Só que nunca sei exatamente o que dizer ou esperar de um desenho. Muitos comentaram que Wall-e merecia uma indicação no Oscar do ano passado e resolveram incluir Up – Altas Aventuras entre os candidatos desse ano. Na minha opinião, Up é MUITO inferior ao excelente Wall-e e acabou roubando lugar de outros filmes melhores na disputa pelo melhor filme da noite, como por exemplo O Mensageiro. Existem boas animações no cinema e muitas são melhores que os filmes tradicionais, mas para concorrer ao prêmio principal precisa ser algo realmente incrível.

Um dos candidatos ao prêmio de melhor animação é O Fantástico Sr. Raposo, dirigido por Wes Anderson e com vozes de George Clooney e Meryl Streep (curiosamente ambos concorrem nos prêmios de ator e atriz principais, respectivamente), o longa é uma adaptação do livro “Raposas e Fazendeiros” do escritor Roald Dahl (o mesmo de A Fantástica Fábrica de Chocolates). Não chega a ser melhor que a animação da Pixar, que por sinal, fez o meu amigo omisso Junnel chorar, mas é igualmente interessante. Talvez pelo fato do charme de George Clooney ser bem presente até mesmo quando apenas a sua voz entra em cena.
O Fantástico Sr. Raposo é uma metáfora cinematográfica para as frases de Sawyer em Lost. “Um tigre não muda suas listras”. O tal senhor Raposo ganhava a vida roubando galinhas até que sua namorada engravidou de uma rapozinha e o obrigou a levar uma vida mais pacata. Passaram-se 12 anos (de raposas) e agora o casal tem um filho adolescente e recebem a visita de um sobrinho. O problema é que tudo parece soar fácil demais e o senhor Raposo resolve voltar aos velhos tempos e praticar um último grande roubo. Porém as coisas fogem um pouco do controle e todos os animais das redondezas sofrem as consequências.

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Com muitas tiradas engraçadas e temas sérios disfarçados de piadas, o diretor Wes Anderson consegue recriar os seus tradicionais (e complexados) personagens nessa animação em stop-motion. Mas não consegue nenhuma inovação no estilo, já que há muitos anos os diretores vem fazendo animações voltadas para o público adulto. Foi-se o tempo em que as crianças eram o principal target consumidor (leia-se como “exclusividade”) dos estúdios Pixar e cia. Só que, exceto Wall-e, nenhum outro longa conseguiu surpreender e demonstrar qualidade digna de reconhecimento e grandes prêmios. O trunfo de O Fantástico Sr. Raposo é que por trás do projeto existe a mente brilhante de Wes Anderson, que acabou criando uma história bem interessante. Mas mesmo assim, muito pouco para um gênero que dizem estar ganhando cada vez mais força no meio. Tecnologia é muito legal, só que nunca vencerá uma boa história (por isso que Avatar não vai vencer o Oscar de melhor direção e roteiro. Escutem bem!).

São duas caipirinhas.

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