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Filme: O Legado Bourne

O LEGADO BOURNE É UMA EXPANSÃO DO UNIVERSO INICIADO NA SÉRIE IDENTIDADE BOURNE, que gerou três filmes estrelados por Matt Damon na pele do agente Jason Bourne. Porém, o novo longa-metragem troca o foco para um novo agente, desta vez vivido por Jeremy Renner (Os Vingadores e Missão: Impossível – Protocolo Fantasma). Tony Gilroy, roteirista dos filmes anteriores, acumula a função de cuidar da direção e roteiro, se mostrando um aluno aplicado da herança deixada por Doug Liman (Identidade Bourne) e Paul Greengrass (Supremacia Bourne e Ultimato Bourne).

Aaron Cross (Renner) está curtindo uma vida selvagem no meio das montanhas geladas e lidando com os lobos de uma maneira que deixaria Liam Neeson orgulhoso. Ele então sofre um atentado e precisa encontrar uma maneira de sobreviver antes que o seu remédio acabe ou que seja encontrado pelo governo. Para isso contará com a ajuda da doutora Marta Shearing (Rachel Weisz), uma das pessoas encarregadas de cuidar e avaliar o condicionamento físico de todos os outros agentes de um projeto semelhante ao Treadstone, dos filmes originais. Claro que no meio do caminho a dupla encontrará vários inimigos e terá que fugir das autoridades e dos capachos do governo, todos com o objetivo de liquidar Cross e Shearing.

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Com cenas introdutórias que remetem diretamente ao filme Missão: Impossível 2, quando Tom Cruise está no deserto escalando montanhas num calor escaldante, o novo filme logo deixa claro que se passa paralelamente aos eventos de Ultimato Bourne. Esse detalhe é curioso e muito positivo, já que ignorar os outros filmes seria desnecessário, para não dizer frustrante. Porém, o conceito de originalidade do projeto fica limitado aos belos momentos do primeiro ato, pois logo depois a ação começa a acontecer na cidade e tudo é exatamente idêntico ao material que os fãs já conhecem muito bem. É interessante rever velhos conhecidos, como Pam Landy (Joan Allen) e Albert Hirsh (Albert Finney).

O problema de O Legado Bourne é que Gilroy tentou apenas recriar a sensação da trilogia ao invés de se esforçar em criar o seu próprio conceito, em levar a franquia por outros caminhos. E ele falha miseravelmente em suas tentativas de imitar a tensão dos dois últimos filmes, se limitando a criar boas situações que acabam deixando a desejar durante o desenvolvimento. Por exemplo, a sequência em que Cross invade uma casa e salva a vida de Shearing. Se tudo acontecesse privilegiando o suspense e mostrasse o agente dominando os vilões, ok, poderia ter rendido um dos melhores momentos, mas Gilroy investiu mais na porrada. Claro que por ser um filme de ação, é preciso incluir muitos socos e deixar os personagens com sangue no olho, mas tudo tem o seu momento. A sequência mencionada não precisava disso.

Outra cena que fica muito abaixo da expectativa é aquela que confirma a essência do DNA Bourne: uma perseguição desenfreada de moto toma conta de praticamente o terceiro ato inteiro. Cross e Shearing estão fugindo de uma versão humana incansável do andróide T-1000, de O Exterminador do Futuro 2, e a sequência inteira não é nem de longe tão eletrizante quanto ao que Matt Damon faz no primeiro filme. Claro que existem bons momentos (a moto descendo a escada – me lembrei imediatamente do Legolas descendo uma escada com um escudo improvisado de skate em O Senhor dos Anéis – As Duas Torres), mas a finalização do vilão não ficou devendo em nada para os momentos mais brutais de Jackass.

Ainda que a introdução seja mesmo o momento marcante (ao lado da simples e eficiente apresentação do personagem de Edward Norton) de O Legado Bourne, não se deve ignorar que os defeitos não foram o suficiente para diminuir o brilho do trabalho de Renner como o “novo Bourne” e o quanto ele está bem no papel, que confirma seu momento como um dos grandes nomes dos filmes de ação atuais. Suas cenas farão os adeptos do Parkour se empolgarem. A expectativa é que os produtores tenham o mínimo de originalidade e não resolvam inventar um romance secreto para o personagem depois de matarem o seu grande amor, pois de resto, incluindo a música tema “Extreme Ways”, de Moby, a franquia Bourne continua muito bem vinda entre os espectadores ávidos por ação.

poster o legado bourne
Nota:[tresemeia]

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