O Lobo de Wall Street

Lobo de Wall Street - Leonardo DiCaprio

OUVI DIZER QUE A HISTÓRIA DE JORDAN BELFORT CONTADA NO CINEMA HAVIA VIRADO UM “SCORSESE LIGHT”. Ouvi dizer também que 180 minutos de duração é um exagero e que os personagens falam tantos palavrões em O Lobo de Wall Street, que um recorde foi batido e tudo isso poderia ter feito com que eu tivesse uma visão ruim do filme, mas eu continuei apenas curiosa.

Independente de polêmicas ou de detalhes insignificantes, um filme sobre um corretor que ganhou milhões com fraudes poderia render muita coisa, dependendo dos realizadores.

Martin Scorsese e sua grandiosa direção permitem que os 180 minutos do longa seja apenas uma característica, nada de negativo ou desanimador. Afinal, gostando ou não do trabalho de Scorsese, é necessário admitir que com o nome e experiência que ele tem, dificilmente conceberia tanto tempo de trabalho à toa.

o lobo de wall street jonah

Porém, alguém mais é responsável pelo ótimo resultado final de O Lobo de Wall Street, Leonardo DiCaprio. Não é novidade que ele é muito mais do que um rostinho bonito em Hollywood, ele provou isso ao longo da carreira, com filmes como A Praia, J. Edgar e Ilha do Medo, este último também dirigido por Scorsese. O ponto é a maturidade que a interpretação de DiCaprio alcançou. Ele nos presenteia com um Jordan Belfort deslumbrado com a oportunidade que a vida pode dar e consegue caracterizar belamente os momentos sérios e as cenas incrivelmente engraçadas (ele tentando sair do hotel e voltar para casa enquanto as drogas fazem efeito é demais). Se mostra, antes um homem cauteloso e depois, alguém com uma sede por luxúria incapaz de ser saciada. Mulheres, drogas e dinheiro nunca eram demais.

A transformação do tímido Jordan, que almoça com o então chefe Mark Hanna (Matthew McConaughey, de O Poder e a Lei), no milionário inconsequente e dependente químico ocorre aos poucos, de acordo com os privilégios a que tem acesso.

o lobo de wall street mcconaugheyÉ importante reparar na mudança de valores e de prioridades e este é o segundo fator que transforma o filme em algo para ser apreciado. Scorsese mostra as mudanças absurdas feitas no modo de vida do protagonista, hábitos extravagantes e as diferenças na maneira como lida com as pessoas.

Também não é surpresa que funcionários e sócios de Jordan tenham grande importância em tudo isso e a maneira como cada um deles é apresentado é muito divertida. O mais próximo do protagonista é Donnie Azoff (Jonah Hill, de Anjos da Lei), além de ser o mais influenciado e a maior influência de Jordan. Pela interpretação, Hill recebeu (ainda não descobri o motivo) a segunda indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Ele fez um bom trabalho na pele de Azoff, porém não mais do que o personagem exigia. Matthew McConaughey aparece por poucos minutos no início do filme e arrasa no papel, mas neste ano preferiram indicá-lo para concorrer ao lado de DiCaprio pelo mesmo prêmio na categoria Melhor Ator.

O filme possui ainda outros personagens engraçados que enriquecem a trama, como Brad (Jon Bernthal, da série The Walking Dead) e Nicky Koskoff (P.J. Byrne, de Quero Matar Meu Chefe) e momentos marcantes, como o diálogo entre Jordan e o inspetor que investiga o correntista (Kyle Chandler, de Argo).

Devemos que reconhecer, é uma obra muito boa, mas para poucos. Alguns comentários disseram que é o mais comercial dessa safra do Oscar, mas os excessos da vida do protagonista pode não agradar a todos, e são apenas memórias de alguém que não possuía limites.

poster o lobo de wall street

Título original:  The Wolf of Wall Street
Direção:  Martin Scorsese
Gênero: Comédia
Roteiro: Terence Winter
Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Matthew McConaughey, Rob Reiner, Margot Robbie
Lançamento: 2013
Nota:[quatro]

Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.