O Passado

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NA NOVA TRAMA DE Asghar Farhadi (A Separação e Procurando Elly), o iraniano Ahmad (Ali Mosaffa) volta a França, onde morou por um período, para atender ao pedido de oficialização do divórcio da esposa, Marie (Bérénice Bejo, de O Artista). Mas ele não esperava que a intenção de Marie fosse se casar com um homem que já está morando na mesma casa que ela, ao lado do filho pequeno.

Assim como fez nos últimos dois filmes anteriores, Fahradi escolheu um pequeno ponto de partida para desenvolver uma história que vai muito além do que aparenta. O divórcio é apenas a ponta do iceberg do que está acontecendo na vida de Marie.

Sua filha mais velha, Lucie, não aceita a relação da mãe e não contribui para a boa convivência entre os atuais moradores da casa e as circunstâncias em que o novo casal se conheceu não é aprovada por todos.

Ahmad acaba se tornando o mediador da casa, tentando estabelecer uma boa relação com todos os envolvidos nas constantes discussões e vê que apesar de ser querido pelos membros da família da qual já fez parte, lá não é mais o seu lugar.

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Uma das maiores armas usadas por Farhardi é a mudança de foco, que quem assiste acompanha casa vez mais curioso. O que parecia crucial no começo do filme acaba perdendo prioridade e descobrimos coisas mais importantes.

Pelo papel de Marie, Bérénice Bejo foi premiada no Festival de Cannes 2013, mas Pauline Burlet, que interpreta Lucie também merece grande destaque. Além da semelhança física com Marion Cotilard, a jovem mostra que tem muito talento e dá ao seu papel a dose certa de rebeldia, melancolia e culpa.

Tahar Rahim (O Profeta) também está no elenco e interpreta o novo homem na vida de Marie. Porém, tem problemas mais profundos do que tentar lidar com Lucie e educar o filho pequeno.

O Passado é um dos indicados ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro 2014 e vai enfrentar grandes filmes, como o dinamarquês A Caça e o francês Azul é a Cor Mais Quente, premiado em Cannes. Além disso, está representando o Irã no Oscar 2014. Nem todo mundo ficou contente essa escolha e a desaprovação está ligada ao lugar onde a história se passa (França), a origem de seus personagens e também a quem financiou o filme.

Excluindo detalhes geográficos e burocráticos, O Passado é para ser apreciado, desde que você permita que Farhardi te surpreenda com seu drama envolvente.

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Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.