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O Preço da Traição

Longos relacionamentos costumam sofrer com o desgaste e uma das maiores consequências é a falta de sexo. Agendas apertadas, filhos, fim do tesão e inúmeras outras coisas do cotidiano servem para minar uma relação. E tudo começa lentamente até que se torna sufocante. Pior ainda é quando a paranóia começa a dominar a mente de uma das partes e a ideia fixa de uma suposta traição se torna uma obsessão. Afinal, o que mais poderia explicar o fato de que agora o casal nem se beija mais? Ele/ela tem que ter outra pessoa. Provavelmente essa é a resposta mais comum para a maioria das pessoas desorientadas que incapazes de olhar para o próprio umbigo, resolvem introduzir uma terceira pessoa para jogar a culpa do fracasso da relação. Esse é um tema bastante interessante e que poderia ter gerado um filme primoroso, mas que nas mãos do diretor Atom Agoyan se torna em uma fraca e facilmente descartável produção.

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Estrelado pela sensação do momento, a exótica Amanda Seyfried (Garota Infernal e Querido John) e com o apoio de Julianne Moore e Liam Neeson, o longa O Preço da Traição deixa muito a desejar. Talvez por causar uma reflexão séria e que muitos ignoram, sobre o que sustenta um relacionamento e em como as nossas suspeitas mais neuróticas podem se transformar em uma amarga realidade por culpa de nós mesmos. A personagem de Moore sofre pelo descaso do filho e do marido. Perdida e sem auto-estima, acaba desconfiando de uma possível traição do personagem vivido por Neeson. A partir do momento em que ela mesma contrata uma prostituta de luxo (Seyfried) para seduzir o marido, ela coloca tudo a perder. Quantos homens em sã consciência negariam fogo sofrendo investidas de uma femme fatale dessas? E qual seria a reação da personagem se descobrisse que ela nunca havia sido traída até aquele momento, que ela mesmo foi culpada? São várias questões que podem ser levantadas e que incomodam. A necessidade de amar não se restringe ao sentimento: para muitos ela significa possuir a pessoa e sua vida inteira. Tem que ser sufocante. Tem que saber quem são os amigos. Tem que sair sempre junto. Se transforma numa prisão e isso contribui demais para a eliminação de uma coisinha essencial para a vida a dois, que é o tesão.
Afora o psicológico da coisa, a produção de Agoyan é uma completa perda de tempo. Mal posso esperar para assistir a versão original (Nathalie X) e poder mergulhar nesse complexo e misterioso mundo de suspense e sedução. Hollywood continua insistindo em criar suas próprias versões de clássicos europeus e parece que os fiascos do passado não foram o bastante para que se começasse a valorizar o cinema do exterior. Por essas e outras que o cinema norte-americano tem que agradecer por ainda existir vida inteligente na capital do cinema mundial. Mas O Preçø da Traição podia ser bem pior. A sorte é que existe uma sequencia muito sensual entre as duas atrizes principais e, bem… é um prato cheio para quem gosta da coisa. (Estou me referindo às técnicas de sedução e não das mulheres em si…)
Ficha Técnica:
O Preço da Traição (Chloe, 2010)
Dirigido: Atom Agoyan
Roteiro: Erin Cressida Wilson
Genêro: Suspense
Elenco:
Amanda Seyfried, Liam Neeson , Julianne Moore

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