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O Sexto Sentido

O Cinema de Buteco aconselha: feche a página se não tiver assistido ao filme.

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O MUNDO DO CINEMA DE SUSPENSE FICOU MAIS ILUMINADO APÓS O LANÇAMENTO DE O SEXTO SENTIDO, no distante ano de 1999. Com aquele final arrebatador, M. Night Shyamalan colocava o seu nome na história de Hollywood e despontava como um dos cineastas mais promissores surgidos na época. Parte do sucesso estava não apenas na surpreendente revelação, mas na atuação do jovem Haley Joel Osment e Bruce Willis, em um de seus principais trabalhos no cinema, e no apuro técnico invejável do diretor.

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Cole Sear (Osment) enxerga gente morta o tempo inteiro. Ele não tem sossego nem quando acorda no meio da madrugada para fazer pipi. É um fantasminha camarada mais inconveniente que o outro. O psicólogo infantil Malcolm Crowe (Willis) aparece de repente, decidido a ajudar o menino maluquinho, mas não tem a menor ideia que as sessões com o jovem terão muita importância para que ele mesmo descubra uma incrível e inesperada verdade.

Os leitores assíduos do Cinema de Buteco já devem saber que Bruce Willis é um dos meus atores favoritos. Seja fazendo comédia ou ação, foram poucas as vezes em que me decepcionei com o trabalho dele. Em O Sexto Sentido, o eterno Duro de Matar se supera e demonstra uma sensibilidade incrível como um psicólogo infantil e um marido vivendo uma crise no relacionamento. Cada uma de suas cenas prende tanto a atenção que se torna impossível querer ver apenas uma cena. Aliás, existem várias cenas incríveis no longa-metragem. Destaco a introdução, com toda a construção do suspense e a interrupção do clima etílico-sexual do casal Crowe. A cena (já virou um clássico moderno) em que Cole conta seu segredo para Malcolm é outra que merece ser vista várias vezes, apesar da quantidade de paródias existentes por aí.

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Como se não bastasse ter um belo roteiro, e saber contar muito bem a sua história, Shyamalan aproveita para brincar com o uso das cores em seu filme. O vermelho vira prenúncio de assombração, a certeza de que algo ruim está perto de acontecer. E ele também serve como “pistas” para que o espectador desvende a verdade sobre o personagem de Willis. Por exemplo, vermelho é a cor da maçaneta do escritório do psicólogo; é a cor da roupa da esposa do médico quando eles estão próximos, dentre as outras cenas envolvendo o pequeno Cole, especialmente os balões na festa infantil.

Uma trilha sonora poderosa na maioria das vezes é uma forma de se garantir o sucesso de um filme. Digo isso por acreditar existir uma facilidade de assimilação muito maior do público quando existe uma música para ser lembrada ao se comentar de algum longa-metragem. Uma cena ganha muito mais força e intensidade quando está acompanhada de uma melodia marcante. Como exemplo mais óbvio, podemos citar Tubarão, de Steven Spielberg. As músicas compostas por James Newton Howard demonstram um cuidado especial de Shyamalan para fortalecer a narrativa e um reconhecimento da importância musical para o cinema.

Para não ficar parecendo que sou um fan boy insano de O Sexto Sentido, é preciso reconhecer que o brilhante roteiro faz algumas pequenas trapaças com o espectador. Durante a revisão tudo fica mais claro, mas mesmo assim ainda existem momentos em que Shyamalan abusa. Existem duas cenas para ilustrar: quando Malcolm vai encontrar com sua esposa no jantar, fica a impressão de que Anna realmente chega a olhar para o defunto enquanto ele se desculpa; e na cena em que o médico está parado na sala ao lado da mãe de Cole, ela sai da sala, olha para o sofá em que Malcolm está e diz: “Você tem uma hora”. São detalhes sutis, claro, mas que encarei como um truque para tentar enganar o público. Com sucesso, diga-se de passagem.

A verdade é que Shyamalan foi ambicioso demais e se deixou levar pelo ego inflado por inúmeras críticas positivas que o consideravam um gênio, um novo “Alfred Hitchcock”. É muito curioso imaginar que boa parte das pessoas que o elogiaram no passado, hoje são os primeiros a levantar pedras e arremessar sem dó em seus projetos mais recentes. Independente de ser amado ou odiado pela crítica, o fato é que O Sexto Sentido é um dos filmes essenciais da década de 90 e obra essencial para os amantes de suspense.

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Nota:[quatroemeia]

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