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Crítica: O Silêncio do Lago (1988)

poster o silencio do lagoDIRIGIDO POR GEORGE SLUIZER EM 1988, O Silêncio do Lago (Spoorloos) é um daqueles filmes de suspense que deixam os espectadores completamente sem fôlego e reação. Com uma história envolvente e uma direção competente na arte de unir a narrativa fragmentada, o longa-metragem recebeu uma versão norte-americana em 1993 com o mesmo diretor, mas um elenco de astros de Hollywood. Nem precisa falar que não se aproxima do original, né?

A trama apresenta Rex (Gene Bervoets) e Saskia (Johanna ter Steege), um jovem casal apaixonado numa viagem de férias. Eles param num posto e Saskia é misteriosamente sequestrada. Depois de três anos do desaparecimento da namorada, Rex começa a receber cartas do homem que cometeu o crime e fica disposto a tudo para conseguir descobrir a verdade.

Logo nos seus minutos iniciais, O Silêncio do Lago já é eficiente em nos apresentar seus protagonistas sem precisar de muito esforço. O diálogo do casal na introdução nos faz imaginar que se trata de duas pessoas apaixonadas e que possuem as suas crises por conta do comportamento individualista e egoísta de cada um deles, como fica explícito na discussão infantil que faz Rex deixar Saskia sozinha no carro depois que a gasolina acaba. Nos anos 80 era compreensível, mas hoje em dia esse comportamento machista e dono da razão do rapaz seria inconcebível.

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O Silêncio do Lago merece uma atenção especial para o trabalho de montagem, que nos mostra uma narrativa fragmentada e cheia de viagens ao passado. Primeiro temos a história do casal, mas logo depois acompanhamos a preparação de Raymond (Bernard-Pierre Donnadieu) para cometer o seu crime. Quando voltamos ao tempo atual, já se passaram três anos, e Rex é atormentado por cartas misteriosas até que finalmente fica frente a frente com o psicopata responsável pela morte de Saskia, que faz questão de explicar maiores detalhes da sua personalidade e de como cometeu o crime “perfeito”.

Mas não há a menor dúvida de que o ponto alto da produção é a construção do perfil do psicopata vivido por Donnadieu. Descobrimos um retrato perfeito de um autêntico psicopata. Da sua infância, da época em que se jogou do parapeito da janela só para ver o que acontecia, até a época adulta em que sentiu a enorme necessidade de provar que seria capaz de cometer um assassinato cruel, Raymond é um personagem frio, calculista e muito assustador.

Indicado para admiradores de suspenses inteligentes, o longa-metragem de George Luizer é uma joia pouco conhecida do grande público e merece a sua atenção. Sem dúvida, um dos grandes clássicos do gênero nos anos 1980.

O Silêncio do Lago faz parte do nosso ranking de 51 melhores filmes com psicopatas de todos os tempos.

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