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O uso de cores em O Cavaleiro das Trevas

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MUITO JÁ SE FALOU SOBRE O CAVALEIRO DAS TREVAS, segundo longa de Christopher Nolan sobre o Homem-Morcego, seja pela atuação de Heath Ledger como o Coringa, seja pela personalidade do vigilante. O objetivo deste texto é falar sobre como o diretor Nolan preparou as cenas em que o Batman aparece até certo ponto de clímax. Sim, este texto contém spoilers. Não leia se não tiver assistido ao filme.
Nolan trabalha com paletas de cores e cenografias diferentes para, basicamente, dois tipos de cena. A primeira – e mais comum no longa – têm as cores que estão mais condizentes com o real, para aproximar o filme do objetivo inicial da trilogia: tornar as histórias do Batman mais factíveis. É como podemos ver, por exemplo, na Batcaverna mais higtech dos filmes do herói (sob o comando de Nolan, as “Bat-coisas” ficaram muito mais empolgantes), com a presença de Bruce Wayne (Christian Bale) e Alfred (Michael Cane). Há uma luz intensa no teto aumentando a sensação de amplidão do espaço. O mesmo acontece no laboratório secreto de Lucius Fox (Morgan Freeman), onde são desenvolvidos todos os artefatos que facilitam a vida do nosso herói.
Paralelamente, temos também cenários em que janelas enormes de vidro inteiriço deixam entrever, do lado de fora, a cidade de Gotham com todo o seu ar de metrópole. É assim  nos escritórios do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart) e do prefeito e na cobertura de Wayne. As janelas, os corredores, os caminhos longos e as luzes contextualizam a amplidão, a pequenez dos personagens na cidade.
BCT02Por outro lado, quando a paleta de cores passa a ser azulada, ou o Batman está em cena ou o terreno está sendo preparado para a sua aparição. Basta ver a passagem em Hong Kong – durante o dia, paleta de cores normal. À noite, prevalece o azul, as sombras. E mesmo as janelas inteiras do escritório de Lau, que durante o dia tinham um leve tom esverdeado, estão agora azuladas para contextualizar a aparição do Batman. Uma das cenas mais emblemáticas dessas passagens é quando o Comissário Gordon (Gary Oldman) entra na sala para interrogar o Coringa. Tudo está envolto em penumbra, só há a luz do abajur sobre a mesa. Quando Gordon deixa a sala, Batman já está ali, atrás do Coringa.
 É assim, mesclando os dois tipos de cores e ambientes que Christopher Nolan monta o ápice de seu filme, após a morte de Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal): é a primeira cena em tons azulados em que Bruce e Batman estão fundidos em um só. O herói está largado em uma poltrona de sua cobertura olhando os prédios de Gotham pelas janelas, vestindo a roupa de Batman, mas sem a máscara. Neste momento, em que ele pergunta a Alfred se a morte de Rachel foi sua culpa, vemos o herói humanizado. Mais próximo dos mortais (e dos espectadores) do que em qualquer outro momento da trilogia de Nolan. É ali que Bruce consegue transmitir seus sentimentos, por Rachel e por Gotham, sem precisar se expressar. A cenografia, a direção de arte e a fotografia falam por ele.
Mais sobre o Batman no Cinema de Buteco? Veja também:
Batman, por Tullio Dias
Batman – O Retorno, por Lucas Paio
Batman Eternamente, por Tullio Dias
Batman Begins , por Fred
Os vilões do Batman, por Lucas Paio
Bane, por Daniel Bessa

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Título original: The Dark Knight 
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonatha Nolan, Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman
Lançamento: 2008
Nota:[quatro]

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