Os Homens São de Marte e é Pra lá que eu Vou

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O HUMOR NACIONAL COSTUMA ARRANCAR MAIS LÁGRIMAS DE TRISTEZA DO QUE DE GARGALHADAS. Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou está bem longe de ser uma pérola inesquecível da comédia nacional (Saneamento Básico ainda é um dos meus favoritos do gênero), mas conseguiu ser divertido o suficiente para ser uma das comédias mais engraçadas lançadas na atual temporada. Curiosamente, algo semelhante aconteceu com Minha Mãe é Uma Peça, no ano passado. Não por acaso, o filme entrou na nossa lista de Melhores Comédias de 2013.

Com direção de Marcus Baldini (Bruna Surfistinha), a produção conta a história de Fernanda (Mônica Martelli), uma solteirona de quase 40 anos, que está desesperada em busca do grande amor de sua vida. Acontece que encontrar a pessoa certa não é muito fácil, o que resulta numa série de encontros hilários para a sorte do público, especialmente as mulheres que se identificarem com os dramas de Fernanda.

O mérito maior de Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou é justamente a alta possibilidade de identificação do público. Se por um lado, os homens poderão rir do quanto as mulheres são meio esquisitas nessa mania frenética de se arrumarem para um encontro; as mulheres se deliciarão ao verem na tela a representação de todos seus “dramas”. Desde a escolha da lingerie perfeita para a noite (e isso resulta a minha cena favorita, ao som de “Valerie”, na versão de Amy Winehouse), até os momentos em que a protagonista usa sua peculiar mexida de cabelo para indicar interesse, e claro, como lidar com homens estranhos e suas manias. A tristeza de ver príncipes se tornando verdadeiros sapos ou comprovando a propaganda enganosa.

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A comédia desliza ao se provar moralista no seu momento final. Nossa protagonista, até então uma autêntica mulher moderna e independente, vivia uma vida livre em que seus desejos e vontades a guiavam para as camas e braços dos homens. Ainda que seja compreensivo que tal atitude realizada de maneira impulsiva possa sim representar um dano, não é possível dissociar a mudança como uma ação moralista, como se o fato dela ser uma pervertida sexual fosse o motivo de todos os seus relacionamentos terem fracassado.

Vários atores dão o ar de sua graça, com destaque para a participação breve (mas hilária) de Herson Capri, Eduardo Moscovis, Humberto Martins (que vive um sujeito cheio de tocs por aventuras) e, claro, o comediante Paulo Gustavo (de Minha Mãe é uma Peça), que interpreta o sócio gay de Fernanda e responsável pelas principais tiradas cômicas. Seu personagem está muito aquém daquilo que foi apresentado em Minha Mãe é uma Peça. Em determinados momentos parece que Gustavo carrega um pouco no estereotipo gay, mas ainda assim garante boas risadas.

Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou é a grande surpresa do gênero comédia em 2014. Vá para o cinema despido de qualquer preconceito e se preocupe apenas em garantir o seu lugar numa sessão e se acabar de rir. Só não vale esperar uma produção elaborada e com um alto teor filosófico, pois não existe nada disso aqui. O lance é se divertir, rir sem peso na consciência, e se deliciar com cenas e sequências que imitam tão bem nossa maneira de buscar aquela pessoa perfeita – e que parece existir apenas nos nossos sonhos.

Assista ao trailer:

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Ps: Tulipa Ruiz e Lulu Santos juntinhos nos momentos finais é de arrepiar. Se o filme não fosse bom, teria ganhado créditos apenas por essa sequência.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.