Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Marcas da Violência

Texto de autoria de Marco Silva, 27, há 15 guiados por filmes, há cinco ralando para aprender a fazer filmes… E há 14 sentado num buteco! 

ENTÃO VAMOS FALAR SOBRE MARCAS DA VIOLÊNCIA. É o inicio de uma das melhores parcerias entre o diretor David Cronenberg e o ator Viggo Mortensen, que a partir desse filme formaram uma parceria e provavelmente fizeram o grande filme de ambos, pelo menos é aquele que mais gosto.

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O que é estranho, porque na primeira vez em que assisti não achei aquela maravilha toda… Talvez por ter certa birra com filmes que são grandes sucessos de crítica… Talvez por não entender por que diabos um cara como Joey Cusack pode do nada se conformar com a vida pacata de Tom Stall… Talvez por achar algumas cenas gratuitas, vide a cena de sexo entre o Mortensen e a Maria Bello ou a cena em que o filho do Stall, até então um garoto calmo e pacato, simplesmente reage com extrema violência às provocações na escola.

Poxa, em Marcas da Violência tem tudo que gosto num filme (incluindo as cenas já citadas) e um belo roteiro de viradas e suspense, então por que diabos não gostei desse filme à primeira vista? Talvez tenha sido a influência da minha mãe, que estava assistindo comigo e quando acabou ela me olhou e disse: “Não dá para assistir esses filmes sem pé e cabeça que você gosta… Não dá!”. Sim, eu me influencio pela opinião alheia de filmes que não sei o que pensar na hora. Ok! Passei uns anos não gostando do filme, até assistir Senhores do Crime e achar simplesmente genial e pensar “Como é possível, Senhores do Crime ser tão genial e o Marcas da Violência ter toda a repercussão que o outro não tem” e fui assistir novamente o 1º filme. E tem tudo ali, tudo que o Senhores do Crime tem e ainda melhor. A maravilhosa cena de sexo na escada entre Edie e o seu esposo Tom Stall ou seria entre Edie e Joey? Ou a maravilhosa cena da resposta a provocações, do filho do Tom Stall na escola ou seria a resposta do filho de Joey?

Não sei talvez esteja analisando o filme da maneira mais obvia que é tentar achar os vácuos entre Stall e Cusack, tentando ligar um ao outro, que talvez seja a coisa que menos importe, pensando na filmografia do Cronenberg, são filmes que te fazem coçar o queixo e ficar pensando se é aquilo mesmo que você viu, com o final fazendo você repensar o filme inteiro, vide Mr. Butterfly e EXistenZ.

Marcas da Violência tem esse poder, talvez de uma maneira bem mais sutil, deixando a mesma coçadinha no queixo, sem dar aquela clássica derrubada de tapete. Talvez seja esse final tão sutil, sem aquela grande virada, que me faz gostar tanto do filme. O filme acaba e Stall, Edie e seus filhos continuam com a sua vida pacata e calma, enquanto eu fico agitado e coçando o queixo!

Título original: A History of Violence
Direção: David Cronenberg
Produção: Chris Bender
Roteiro: Josh Olson
Elenco: Viggo Mortensen
Maria Bello
Ed Harris
William Hurt
Lançamento: Nov/2005
Nota:

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