Quem Quer Ser um Milionário? | Cinema de Buteco
Críticas de filmes

Quem Quer Ser um Milionário?

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O grande vencedor do Oscar 2009 apareceu primeiro aqui. A Flávia fez um post sucinto, não quis entregar nenhum detalhe do filme de Danny Boyle. E ainda joga na discussão uma afirmação interessante de que Slumdog Millionaire é daqueles filmes/livros que nos prendem do começo ao fim. Passamos a torcer tanto pelo personagem que esquecemos que é apenas uma história ficticia. A grande magia da adaptação do livro de Vikas Swarup é conquistar o público. Diga-se de passagem, o filme é BEM superior ao livro. Mérito da ousadia do roteirista vencedor do Oscar, Simon Beaufoy.

A dupla Beaufoy e Boyle não teve medo e realmente fez verdadeiras adaptações no livro de Swarup, a começar do título: o original é Sua Resposta Vale um Bilhão. Na minha opinião, Slumdog Millionaire é um nome bem mais interessante e menos brega. Talvez a influência da televisão brasileira e de Silvio Santos (e seu Show do Milhão) tenha sido um fator importante para a escolha da tradução. E afinal de contas, um filme com o nome parecido com O Favelado Milionário não iria ser nada convidativo, certo? Quase nula a possibilidade de terem ao menos cogitado usar apenas Slumdog Millionaire. Os responsáveis pela grana não enxergam a grande massa brasileira como pessoas capazes de conseguir ler ou entender o significado do título (não que estejam errados), e a escolha óbvia é partir para o convencional.

Logo no começo de Quem Quer Ser um Milionário acontece uma “perseguição” no meio de uma favela indiana. As semelhanças com o Cidade de Deus são inevitáveis. Não apenas por esta cena na introdução, mas por tratar de um estereotipo de como é a vida dos moradores de favelas. Se no Brasil impera a violência, discriminação e abuso, na Índia não é nada diferente e ainda soma o fator religioso. As brigas entre Índia e Paquistão causam a morte da mãe dos personagens principais e o encontro com a orfã Latika. No livro há um destaque maior e detalhado sobre a interferência dos conflitos na vida de Jamal (Ram Mohammad Thomas no original), Salim (que de amigo virou irmão na versão cinematográfica) e Latika (que também sofreu modificações no cinema). Mas são apenas detalhes que foram sacrificados/modificados para render um filme tão “mágico”.

Embora existam semelhanças com Cidade de Deus, a temática final dos filmes é bem distinta. Enquanto o filme de Fernando Meirelles é uma crítica ferrenha, séria e real, Danny Boyle entrou de cabeça no universo pop da Índia e fugiu da realidade política e social do país. Os problemas estão lá, mas de uma forma bem sutil e como pano de fundo, o que não acontece em Cidade de Deus. Boyle usou uma linguagem moderna e envolvente para conquistar o público. Até mesmo o cinema de Bollywood (a industria do cinema indiano, que chega a produzir o dobro de filmes que Hollywood) serviu de referência para Slumdog Millionaire. Basta conferir a sequência final do longa e rir bastante do momento “que porra é essa?” quando todos os personagens começam a dançar freneticamente na estação de metro.

Danny Boyle retrata os indianos como um povo que vive de sonhos. A miséria atinge grande parte da população e o principal refúgio dessas pessoas é assistir a um programa caça-niquel que manipula a imaginação e a ambição dos indianos. Mas apesar de tudo é uma cultura vasta e que cresce cada vez mais. Slumdog Millionaire foi apenas a “bomba” que denunciou a existência de vida na Índia e iluminou o caminho de cantores como MIA e escritores como Vikas Swarup. Dificilmente um filme vai conseguir repetir o sucesso da empreitada de Boyle. É fácil falar sobre política e problemas sociais, mas usar tudo isso como pano de fundo para uma história de amor e superação recheada de humor? É para poucos. Que sirva de lição para quem tem coragem de fazer uma novela com a Índia de pano de fundo…

Eu vou é ficar muito lokis com as 5 caipirinhas que dou para o filme. Uau.

Algumas das diferenças (se não viu o filme, não leia)

Ao invés de narrar a história para um policial responsável, Jamal (Ram no livro) conta a história para sua advogada, que se revela como uma pessoa que ele já ajudou no passado.

Prem Kumar, o apresentador sacana do programa, morre “suicidado” pelos patrocinadores do show. Tanto no livro quanto no filme, Kumar é um personagem invejoso e manipulador.

Salim não morre no livro. Ele acaba virando ator de um filme de comédia, realizando seu grande sonho.

O verdadeiro amor da vida de Jamal (Ram) se chama Nita e é uma ex-prostituta com a qual o personagem perdeu a virgindade.

E finalmente, um dos momentos mais emocionantes do filme, quando Jamal telefona para Salim e Latika atende, não acontece no livro. Foi mais uma sacada genial de Boyle e Beaufoy. No livro, a pergunta é diferente (aliás várias perguntas são diferentes) e a ligação é para um personagem que recebeu ajuda de Jamal e prometeu recompensar um dia. Não, ele também não sabia responder a pergunta.

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“Há muitos anos cheguei à conclusão de que os sonhos só têm poder sobre a mente do próprio sonhador; mas o dinheiro nos permite ter poder sobre a mente dos outros”.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.

Comentários

  1. Bem legal o texto, 2T. Gosto de posts mais longos, onde dá pra desenvolver mais uma opinião e não ficar só na sinopse. Eu discordo das 5 caipirinhas: acho que merece 3 e meia e olhe lá. As interpretações dos adolescentes perdem para as crianças, e o roteiro depende excessivamente de coincidências pra funcionar. E oito Oscars também foi demais, e me fez tomar uma certa antipatiazinha não pelo filme, mas pelo hype todo em cima dele. Do Danny Boyle, gosto mesmo é do Trainspotting! Mas ele é bem irregular. Fez Trainspotting e fez aquele lixo do Extermínio, que não sabe se é filme de fim do mundo, de zumbi ou de militar. Mas este comentário já está longo demais, e na verdade eu só queria dizer: isso aí, continue com os textos longos!

  2. Obrigado senhor Paio! Mas falar mal de EXTERMÍNIO, cara? SÉRIO? hahahaha, putafilmeirado! hahahaha

    e concordo que as atuações dos fraldinhas ownam os juvenis… hahaha
    até mesmo na sequência final de dança. hahahaha

    E me esforçarei em mais textos longos… hahaha, esse aí foi só pq já estava preparando há um tempãão!
    valeu!

  3. Sustento que Extermínio é ruim! Começa como um bom filme apocalíptico, depois vira um filme de zumbis mediano, e termina como um filme de militares ruim. Filme bom apocalíptico é Filhos da Esperança! E filme bom de zumbi é Fome Animal! hahaha

  4. a gente devia fazer o assunto da vez com zumbis então… hahahaha

    e aí… você pode falar mal de extermínio. hahaha, mas eu ovu falar bem. hahahahahhahahaaha
    o extermínio 2 pode ser mais ou menos, mas o primeiro é lindo! hahahahahahaha

    fome animal owna. hahahahaha, nunca mais vou olhar para os padres da mesma forma!