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Querido John

Ao começar a assistir Querido John, o primeiro pensamento que vem a mente é: “puta que o pariu! Vou chorar esse filme inteiro…”. Pois bem. O longa metragem é baseado em um livro do mesmo cara que me fez morrer de chorar em Diário de uma Paixão: Nicholas Sparks. Não tive oportunidade de pegar nenhuma das duas obras e conferir, não devo estar perdendo muita coisa, mas tenho certeza que as duas adaptações não fizeram feio comparadas ao texto original. Assim como acontece em Diário de uma Paixão, os personagens de Querido John acabam se separando por conta da guerra (agora a história se passa nos tempos atuais e a guerra é a do Afeganistão), mas o amor permanece intacto. Ou parcialmente.

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A lindinha Amanda Seyfried, que foi rejeitada por Tim Burton na adaptação de Alice no País das Maravilhas, tem seu primeiro grande papel e, infelizmente, fracassa no teste de talento. Pelo menos para dramas. Dona de uma beleza exótica e altamente cativante (não é a toa que Megan Fox se apaixona por ela em Garota Infernal e até Julianne Moore se rende aos encantos da nova musa dos safadinhos de plantão em O Preço da Traição), a atriz tem uma atuação medíocre e em cenas que deveriam passar emoção, passam batidas. O choro e sofrimento da atriz não convencem e quem perde é o espectador, que acaba sendo jogado de volta para a realidade e percebe que aquela é apenas mais uma história de amor do cinema. Channing Tatum é sempre uma incógnita em seus filmes. Não consegui inventar nada para criticar-lo nesse filme, mas um ator que fez Ela Dança, Eu Danço não merece muito respeito… Já o veterano Richard Jenkins dá um show como o pai recluso do “querido” John do título. Aliás, afora alguns belos momentos como a sequência em que os pombinhos apaixonados trocam seu primeiro beijo (não sei quanto a vocês, mas eu sou uma manteiga derretida quando vejo cenas tão cativantes e envolventes como essa) na chuva e a introdução com um trecho da carta de John, é na atuação de Jenkins que mora o melhor da produção dirigida por Lasse Hallstrom.
A história não tem nada de inovadora: menina convive com um menino chato, riquinho e que se acha; menina se encanta com outro menino; esse outro menino faz parte das forças armadas e se interessa pela menina, ignorando totalmente a existência do menino chato , riquinho e que se acha; menina e outro menino começam a se encontrar diariamente e tem que aproveitar as duas semanas que irão passar juntos antes de cada um seguir o seu caminho; menina e outro menino se dizem apaixonados; menina e outro menino seguem outros rumos e depois de um longo período afastado por conta da guerra, tudo corre o risco de ficar guardado no passado e nas memórias de cada um. Ou seja, apesar de ser clichê, Querido John mistura todos os bons ingredientes de um romance mela-cueca que toda namorada normal gostaria de assistir ao lado do namorado. E o melhor da história é que você não precisa ser um militar ou um riquinho chato para ter a sua própria companheira e se deliciar com (mais) uma história de amor.
Bonito e merece três caipirinhas.
ps: dedicado para as meninas Fernandes, que me convenceram a ver o filme.

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