Crítica: RED 2 - Aposentados e Ainda Mais Perigosos, de Dean Parisot
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RED 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos

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EXISTEM DIAS NA VIDA DA GENTE EM QUE TUDO DÁ ERRADO. Imagine a situação: você já está atrasado para um compromisso, corre para fugir dos sinais vermelhos para os pedestres, e chega na estação de metrô no momento em que perde o transporte. Olha no relógio e sabe que está dez minutos atrasado. Felizmente, a sessão atrasou e existe a esperança de não perder meia-hora do filme. Eis que o metrô chega, você conta o tempo certinho de chegar na estação do shopping e se dá por satisfeito. Se a vida fosse justa, a história terminaria aí, mas as portas do vagão simplesmente não abriram, deixando você preso dentro do metrô bufando de ódio e olhando para as pessoas putas da vida querendo entrar. O metrô segue passagem e você tem que descer em outra estação para voltar depois. E lá se vão quase meia-hora. Aqueles trinta minutinhos que eu não queria perder.

Considerando que RED 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos não é nenhuma Havana da vida, tudo bem, tudo certo, no hard feelings com o condutor. Deu para contornar a situação de uma maneira alternativa e entender exatamente tudo que se passava com Frank Moses (Bruce Willis), Marvin (John Malkovich) e Sarah (Mary-Louise Parker) em cena. Complexidade não é o forte do roteiro escrito pela dupla Jon e Erich Hoeber. É tudo bem simples, na verdade. Você têm os assassinos aposentados correndo contra o tempo para fugir de um assassino perigoso e tentar descobrir mais sobre uma missão secreta da Inteligência. Basta pegar a pipoca, preparar um bom drink e se divertir, sem medo de ser feliz.

É preciso reconhecer que a ausência do diretor Robert Schwentke faz falta. Seu substituto Dean Parisot (As Loucuras de Dick e Jane) não consegue repetir com sucesso os méritos alcançados no primeiro longa-metragem, que é uma comédia divertida com ótimas piadas e uma atuação incrível de seu elenco, especialmente Helen Mirren. As piadas da continuação são legais sim, em um ou outro momento é possível chegar perto de uma risada, mas no geral conseguem arrancar apenas sorrisos de seus espectadores. Não fosse pelas atuações, ainda que inferiores ao original, Reds 2 poderia figurar na lista de grandes decepções da temporada.

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Bruce Willis é sempre um bom motivo para se assistir qualquer coisa (incluindo o medíocre Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer). Seu timing para a comédia raramente costuma falhar, mas ficou a impressão de que ele está mais contido. Ótimo para os coadjuvantes, principalmente John Malkovich e seu Marvin, um maluco paranóico responsável pelos melhores momentos da produção. Sarah-Louise Parker é uma linda. Parece uma criança excitada com a possibilidade de se envolver em uma grande aventura. Não tem como achar ruim. Só fica a vontade de dar um abraço bem apertado. Helen Mirren retorna com uma participação menor, mas não menos interessante, do que no filme anterior. A sua imitação da Rainha é impagável (e uma espécie de auto-referência, já que a atriz estrela o drama A Rainha). O elenco é reforçado com Catherine Zeta-Jones, que vive uma sedutora espiã russa, e Anthony Hopkins, que deita e rola como um senhorzinho com uns parafusos soltos na cachola. De longe, é o melhor ator do longa-metragem.

Curioso notar uma possível referência ao seriado Breaking Bad durante uma sequência em que Mirren derrete alguém dentro de uma banheira. Como estamos falando de uma comédia voltada para o público de todas as idades, não existe nenhum plano mostrando a vítima. Tudo que o espectador vê são os pés do sujeito. A cena ganha força pelo diálogo entre Mirren e Willis, que discutem sobre o relacionamento dele com Sarah. “É preciso aproveitar a vida.”

RED 2 – Aposentados e Ainda Mais Perigosos é uma produção divertida, e uma boa opção de comédia para a temporada 2013, que está meio fraca no gênero até o momento. Filmes tão despretensiosos assim raramente podem ser considerados ruins, especialmente quando o público sabe que irá encontrar uma história de espionagem bobinha, com muitas oportunidades para fazer piadas, cenas de ação bem produzidas (a perseguição de carro ao som de “Given Up”, do Linkin Park, é um bom exemplo), e uma turma de atores experientes se divertindo e mostrando que a idade não é termômetro para se filmar uma boa aventura.

Caso você queira relembrar o primeiro filme, Acesse as críticas de

Tullio Dias

Jairo Borges

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Nota:[tres]

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.