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Reféns


EXISTEM CERTOS TIPOS DE DIRETORES QUE FAZEM QUESTÃO DE TRANSFORMAR SUAS PROMISSORAS E CURIOSAS em um belo copo lagoinha de cerveja quente, de preferência daquelas que costumam ser vendidas em festas universitárias, onde ninguém tem dinheiro para comprar as cervejas que são realmente gostosas e ainda tem que iniciar revoltas contra a impossibilidade de fumar maconha nos prédios. Joel Schumacher entra fácil nessa categoria, principalmente porque ele pode fumar maconha sem ser incomodado, se é que ele aprecia o cigarro favorito do Bob Marley.

Depois dos interessantes Um Dia de Fúria e O Cliente, o diretor começou a afundar num poço podre que incluiria produções como Batman Eternamente e aquela piada de mau gosto chamada Batman e Robin. O estrago foi tão grande (especialmente para a moral do Batman no cinema) que a Warner Bros não queria nem ouvir falar no Homem-Morcego até Chris Nolan apresentar seu roteiro de Batman Begins. Nos últimos anos Schumacher realizou filmes inexpressivos, incluindo Número 23, estrelado por Jim Carrey.

Em Reféns, Schumacher se reencontra com Nicolas Cage, outro artista que enfrenta um momento difícil na carreira. Foi-se o tempo em que Cage era sinônimo de filmes bons. Falido, o ator acaba sendo obrigado a aceitar qualquer tipo de papel para conseguir pagar as suas contas e tentar contar com a sorte para que algum filme o faça dar a volta por cima. Felizmente, apesar dos defeitos de Reféns, essa repetição da parceria realizada no interessante 8mm consegue escapar de ser mais uma bomba no cv de ambos. talvez o motivo seja a presença (quase inexplicável) de Nicole Kidman no thriller. Isso nos faz pensar que a coisa não está fácil para ninguém mesmo.

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A trama segue essa família desajustada e infeliz, onde o pai (Cage) tem que lidar com o risco de perder todo o bem-estar da esposa (Kidman) e da filha (Liberato). Entre toda a ladainha de ter estragado o relacionamento com a esposa (como é que um cara consegue ignorar a Kidman se vestindo toda sensual? Parece até que essa Coca é Fanta, na boa) para garantir o futuro da família Miller, a casa é invadida por um grupo de sequestradores amadores que estão louquinhos para colocar as mãos na grana do dono do sofredor personagem de Cage.

Milhares de clichês ilustram o roteiro de Karl Gajdusek, o que se não o transforma em uma grande merda, não ajuda muito na hora de avaliar o longa metragem com um pouco mais de frieza. A construção do suspense em torno da ligacao entre Sarah Miller e um dos sequestradores é, no mínimo, boçal e infantil, sem impressionar o espectador. Claro que no princípio existe a suspeita de que ela é uma sem vergonha interesseira (a combinação de filmes recentes, como Amor Sem Escalas e Namorados Para Sempre com experiências pessoais ajuda a concluir isso) , mas tudo se revela aos poucos e da forma mais sem graça possível.

Cage interpreta ele mesmo. Isso nunca pode ser um bom sinal, exceto se você gostar de um cara louco tendo motivos para ficar mais louco ainda com seus sequestradores e numa arrogância incrível, conseguir ficar acima do grupo de vilões armados. Não fosse pela sensação de que o personagem é imune a balas e ameaças, além pontapés e coronhadas, poderia até convencer. Ou pelo menos tentar.

No mais, Reféns é um thriller medíocre e que pode ter sucesso com um público menos exigente e que provavelmente ainda consegue achar alguma graça em filmes onde uma família é obrigada a lidar com assaltantes dentro da própria residência. Entretanto, O Quarto do Pânico, de David Fincher, continua sendo uma das melhores opções do gênero.

Título original: Tresspass
Direção: Joel Schumacher
Roteiro: Karl Gajdusek
Elenco: Nicolas Cage, Nicole Kidman
Nota:  (Apenas pela Nicole Kidman, confesso)

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