Crítica: RoboCop, de Paul Verhoeven
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RoboCop

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O TEMPO É CRUEL E SE COMPLETARAM 25 ANOS DESDE QUE O CINEASTA HOLANDÊS PAUL VERHOEVEN LANÇOU ROBOCOP NOS CINEMAS. O filme chegou aos cinemas no dia 17 de julho de 1987 (nota descartável: um dia depois do meu aniversário) e resultou em duas continuações, além de uma famosa série de TV. O andróide Alex Murphy virou um herói e influenciou toda uma geração, tanto que José Padilha (Tropa de Elite) será o diretor do remake esperado para meados de 2013. Ou seja, até hoje existe um interesse em mostrar mais do personagem, mas afinal, quais os motivos transformaram RoboCop em uma produção tão marcante e adorada?

Alex Murphy (Peter Weller) acaba de ser transferido para o departamento de polícia de Detroit e logo na sua primeira missão é vítima de um atentado fatal. Seu corpo acaba sendo doado para servir de cobaia na Omni Corp, uma organização tecnológica com várias ideias para tentar limpar as violentas ruas da cidade, dentre outras coisas e interesses. Murphy sobrevive como um andróide e logo começa a varrer toda a escória de Detroit, mas os vilões também estão escondidos por baixo dos ternos dos gananciosos executivos.

De qualquer maneira, você acaba ficando meio intrigado com a maneira como Anne Lewis (Nancy Allen) e Murphy decidem investigar o galpão abandonado no começo do filme. Mesmo com o corte de cabelo curto e com aquele ar de machona, Lewis empunha seu revólver e anda na pontinha do pé, numa imitação perfeita dos passos de Penélope Charmosa ou qualquer outra personagem feminina de desenhos animados. Tão divertido ainda é observar o jeito como Murphy dá um pequeno salto em falso, como se fosse encostar na porta traseira do veículo, e então, como se tivesse mudado de ideia, começa a correr para encontrar os ladrões. Detalhes bobos, mas que são divertidos de serem observados e devidamente sacaneados. Um conflito interessante surge na gráfica sequência em que Murphy se transforma em uma peneira humana, mas o cinéfilo dentro de mim é incapaz de querer proferir qualquer insulto para um dos melhores momentos do filme – pena que não posso falar o mesmo sobre o momento em que o robô ED-209 cai na escada e começa a fazer barulho de um porco.

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Um “problema” de RoboCop é a imensa dificuldade de encarar aquele vilão e conseguir segurar a risada. Ou você, que cresceu assistindo That 70`s Show ao invés dos filmes de ação que passavam na televisão, seria mesmo capaz de olhar para o Red Forman dando uma de gângster e se sentir intimidado? Quando dizem que certas obras acabam com a carreira de um ator, provavelmente Kurtwood Smith deve ter sido citado como exemplo. Confesso que fiquei boa parte do filme esperando a esposa dele entrar em cena e o mandar colocar o lixo para fora.

Como os outros títulos da carreira de Verhoeven, RoboCop é um incrível filme de ação com elementos sci-fi, e com uma trilha sonora marcante criada por Basil Poledouris. Imponente, ela entraria facilmente em uma lista de temas mais marcantes dos grandes clássicos de ação do cinema, ao lado de Indiana Jones e Superman, ambas composições do mágico John Williams. Curioso notar como é que Verhoeven dribla certas armadilhas dos executivos de Hollywood. Geralmente todo filme de ação precisa incluir um interesse romântico para o herói e RoboCop escapa pela tangente. Claro que há uma química especial e olhares significativos entre a personagem de Allen e Weller, mas hora nenhuma o roteiro se aprofunda na relação. Lembrando que Murphy era um respeitável pai de família, que possivelmente criaria obstáculos morais para o filme.

Brincadeiras à parte, RoboCop é mais um exemplo de como Verhoeven consegue ser um cineasta sutil sem abrir mão de seus próprios fetiches, como o momento em que o olhar de Lewis vacila e ela praticamente tropeça na mangueira ou quando Murphy salva uma garota atirando entre as suas pernas e acertando o “playground pessoal” do meliante. Ainda que não tenha cenas de sexo explícito, o holandês conseguiu encontrar uma maneira de incluir referências. Mas pelo menos teve liberdade para mostrar violência e chocar logo no começo, deixando ainda uma piadinha de humor-negro de que ninguém realmente se importa com o destino dos chatos e puxa-sacos. Se você não assistiu ainda, não espere pelo remake e confira logo a versão original.

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Nota: 2_robocop-1024x487 RoboCop

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.