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Rota de Fuga

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VER SYLVESTER STALLONE E ARNOLD SCHWARZENEGGER JUNTOS NO MESMO MACHO MOVIE ERA O SONHO CINÉFILO DE MUITO MARMANJO QUE CRESCEU ASSISTINDO AOS DOIS QUEBRANDO TUDO NA DÉCADA DE 1980 E 1990. Os Mercenários tentou (e pode-se dizer que o segundo filme até foi bem sucedido, enquanto o primeiro é uma grande decepção) realizar isso, mas ainda faltava um filme que fosse concentrado apenas nos dois gigantes do gênero ação. Rota de Fuga assume esse compromisso e o resultado é extremamente proveitoso, especialmente para os fãs.

Breslin (Stallone) é um cara que ganha a vida tentando encontrar falhas em prisões de segurança máxima. Ele é contratado para entrar numa prisão militar ultra secreta chamada O Túmulo e logo descobre que foi enganado. Sem poder contar com ajuda exterior para sair da prisão, Breslin precisará do apoio do gigante alemão Rottmayer (Schwarzenegger) para conseguir escapar e se vingar dos responsáveis pela sua quase extinção. Há, extinção. Sacou?

Stallone já tinha um certo conhecimento prévio de obras sobre fugas de prisões. Em Tango e Cash, por exemplo, ele é um mocinho que vai parar no xilindró na companhia de Kurt Russell. Tudo bem que não se trata de um filme sobre prisões, mas há toda uma parte do roteiro que mostra como eles escapam da cadeia. Mas o exemplo mais notável é Condenação Brutal, em que Sly precisa formar alianças para conseguir sobreviver aos ataques dos guardas sanguinários e dos outros prisioneiros com sangue no olho. Em Rota de Fuga não há nada de novo no desenvolvimento, embora o roteiro tenha alguns detalhes interessantes que funcionam para escapar do óbvio dos clichês do estilo.

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Um bom exemplo é que Breslin e Rottmayer não vivem nenhum tipo de conflito inicial. Existe um momento de tensão, quando eles se conhecem, mas o roteiro não abusa da paciência (e inteligência) dos espectadores fazendo com que os heróis briguem entre si antes de unirem suas forças. Pode parecer bobagem um detalhe tão pequeno assim, mas acaba fazendo a diferença. Outro diferencial é que Rota de Fuga economiza na ação e prefere investir no desenvolvimento da história aos poucos. Até mesmo para respeitar a idade dos protagonistas, imagino. A paciência de Breslin lembra bastante Frank Morris, personagem de Clint Eastwood em Fuga de Alcatraz. No entanto, não se engane: no terceiro ato, Rota de Fuga chuta o balde e se transforma num autêntico macho movie dos anos 1980, com muitos tiros, socos e explosões. Há inclusive uma cena em que o legado cinematográfico de Schwarzenegger é imortalizado com direito a um slow motion, no melhor estilo Chuck Norris, em Os Mercenários 2.

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Tanto Stallone quando Schwarzenegger estão bem no filme. Aliás, desde que voltou a trabalhar com cinema, talvez seja o melhor produto que o ex-Governator estrelou até o momento. Ninguém vai pagar o ingresso de Rota de Fuga esperando por atuações sensacionais ou um elenco formado por atores eficientes – tanto que tem o 50 Cent num dos papéis secundários (mas o rapper surpreende positivamente como ator). Filmes assim são voltados para um público muito específico e que não encontrará defeito algum no longa-metragem e ainda poderão lançar pedras nos coitados dos críticos que xingarem a obra em questão. Triste a vida, não? Sorte a minha que gostei de Rota de Fuga e escaparei da ira dos tiozões da Sukita.

Para a geração atual, que certamente cresceu acompanhando os planos mirabolantes de Michael Scofield para escapar da penitenciária de Fox River, em Prison Break, o longa-metragem do cineasta Mikael Håfström pode agradar em cheio. Além de ser interpretado por Sylvester Stallone, Breslin é uma versão mais velha e badass de Michael. Os dois personagens possuem muito em comum em relação às estratégias para fugir e pela opção de entrar nas prisões por vontade própria. Mas para quem está em busca de uma obra praticamente perfeita sobre o tema fuga de prisões, ainda está para nascer o filme capaz de superar o já citado Fuga de Alcatraz, de Don Siegel.

O importante mesmo é saber que uma lacuna do cinema de ação finalmente foi devidamente preenchida e os dois principais astros do gênero podem ter a certeza que não devem mais nada para os seus fãs. Exceto, talvez, por uma nova continuação de Rambo ou Exterminador do Futuro, quem sabe?

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Nota:[tresemeia]

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