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Serenity

Joss Whedon é o cara capaz de transformar qualquer filme no estilo “sessão da tarde” em entretenimento de qualidade, porém extremamente descartável. No seu currículo, é o seriado Buffy – A Caça Vampiros que chama mais a atenção (e também foi a mina de ouro do diretor/roteirista). Whedon também se aventurou no roteiro de Alien – A Ressurreição (que apesar de ser o pior da série, merece certos créditos) antes de passar a produzir outro seriado: a ficção-científica de Firefly, estrelada por Nathan Fillion (que interpreta o capitão Malcolm Reynolds), que é nada mais que a introdução dos personagens que assistimos na história de Serenity.

Considerado por muitos críticos como um dos filmes de ficção-científica mais marcantes dos últimos anos, Serenity mostra um grupo de contrabandistas espaciais que passa a ser perseguido por um perigoso assassino que quer capturar uma das tripulantes que é telepata. O problema é que além de telepata, a jovem River (Summer Glau, de uma infinidade de outros seriados) é também uma verdadeira arma letal e consegue ser um páreo duro para Beatrix Kiddo (Uma Thurman) de Kill Bill.

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O filme mais parece um episódio especial do que um longa-metragem propriamente dito. Os planos que Whedon utiliza acabam sendo bem característicos de uma produção para tv, a diferença são os recursos que permitem efeitos especiais melhores e mais interessantes, embora não cheguem a impressionar. Os melhores momentos de Serenity ficam reservados para as sequências em que River distribui socos, pontapés e garrafadas em um grupo de homens num bar espacial que lembra a cantina de Mos Eisley em Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança (mas sem os tipos estranhos ou a música divertida).

Talvez Serenity seja tão elogiado por ser um resgate dos filmes sci-fi antigos, ou seja, ele sobrevive não apenas pelos méritos do seu roteiro e sim pelas homenagens aos clássicos antigos que faziam a alegria de toda uma geração. A verdade é que apesar de todo o clima de sessão da tarde “futurista”, Joss Whedon fez um filme empolgante e que não obriga o espectador a refletir e pensar o tempo inteiro sobre as conspirações políticas que servem de pano de fundo para todo o desenvolvimento do roteiro. No final das contas, tratando de cinema, ninguém se preocupa com a parte séria. Ainda mais tratando-se de um filme sci-fi…

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