Superman – O Filme

THIS IS NO FANTASY“. A VOZ IMPONENTE DE MARLON BRANDO abre a versão cinematográfica de um dos heróis mais famosos do mundo indicando que, ao contrário das páginas impressas e dos desenhos animados, dessa vez a coisa era pra valer, no mundo real. Não é à toa que o slogan do filme era “Você vai acreditar que um homem pode voar”. Em Superman – O Filme, a intenção é suspender a descrença e nos fazer acreditar em um alienígena onipotente que usa cueca sobre as calças e, surpreendentemente, quer ajudar ao invés de dominar o mundo.

E nisso o filme de Richard Donner é muito bem-sucedido. Pra começar, o elenco é impecável. Christopher Reeve é o Super-Homem perfeito, não apenas pela aparência, mas por conseguir algo que os mais recentes Dean Cain (Lois & Clark), Brandon Routh (Superman Returns) e Tom Welling (Smallville) não conseguiram: fazer um Clark Kent tão diferente do Superman que seria inconcebível achar que um fosse o outro. No máximo, um Totally Looks Like. Marlon Brando faz a já citada ponta como Jor-El, pai kryptoniano do herói, Gene Hackman é um Lex Luthor divertido e Margot Kidder não é a moça mais bonita do mundo (ainda mais nos dias de hoje), mas funciona bem como Lois Lane. Tem muito mais a personalidade da personagem do que a Kate Bosworth (a Lois de Superman Returns), por exemplo.

Como um bom filme de origem, Superman – O Filme faz o dever de casa direito: explosão de Krypton, infância em Smallville, chegada a Metrópolis, o tenso salvamento de Lois Lane caindo de um helicóptero, a primeira entrevista do herói e o vôo do casal pela noite de Metrópolis. Os efeitos especiais não são tão capengas quanto se poderia imaginar de um filme que já é trintão (só pra comparar, o tenebroso Superman IV – Em Busca da Paz tem (d)efeitos muito piores). Tem humor e aventura bem equilibrados, na medida de uma Sessão da Tarde. E tem, é claro, a sensacional trilha sonora de John Williams, que criou um dos temas mais emblemáticos da história do cinema, além do emocionante e menos falado Tema de Krypton.

A ressalva? Não consigo engolir a cena final (não é nem spoiler, se você nunca ouviu falar disso, merece ser exilado na Zona Fantasma), onde um desolado Super-Homem, ao perceber que sua amada tinha batido as botas, gira o planeta Terra ao contrário e volta o tempo. HEIN? Além da completa falta de lógica – uma grandessíssima trapaça de roteiro -, é assim que funciona? O mundo pode se acabar em guerras, mas se a sua peguete morre você volta o mundo inteiro no tempo e salva a pobrezinha, ignorando todas as outras pessoas que você tinha acabado de salvar e que agora vão morrer porque você não vai estar mais lá? Não seria mais altruísta, ou mesmo mais esperto, voltar antes da explosão nuclear que acabou de acontecer?

Tirando isso, o filme é ótimo. Assista, mostre para os primos mais novos, esqueça as seqüências (na verdade Superman II é legalzinho) e conforme-se: nunca mais vai aparecer um Super-Homem melhor que Christopher Reeve.

Superman, 1978
Direção de Richard Donner

  • 2T

    conforme-se: nunca mais vai aparecer um Super-Homem melhor que Christopher Reeve. [2]

    fato.

  • João

    ÓTIMO post.
    mesmo.
    não suma tanto assim lucas, seus posts fazem falta!

  • Thiago Angelo

    O Christopher Reeve é para mim, e creio que para a grande maioria, o melhor Super-Homem do cinema. E os dois primeiros filmes da saga, trabalhos espetacúlares de Richard Donner e Richard Lester, são clássicos eternos, pois o primeiro já tem 31 anos e o segundo 29, mas, mágicamente, os dois filmes ainda se mantém encantadores, coisa que os blockbusters atuais não conseguem fazer. Parabéns a Richard Donner e Richard Lester, pois fizeram dois filmes eternos, e parabéns para você cara, pelo seu ótimo post.

Lucas Paio

Lucas Paio é mineiro de Belo Horizonte, passou quatro anos na China e desde 2013 vive em Berlim, onde passa o tempo livre no cinema (os poucos que exibem filmes sem dublagem em alemão) e conhecendo a cerveja, digo, a cultura local.