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Tango e Cash – Os Vingadores


A MELHOR PARTE DE RESOLVER TIRAR A POEIRA DOS DVDS ANTIGOS é descobrir que certos filmes de ação dos anos 80 eram realmente divertidos. Atração constante do antigo Cinema em Casa, do SBT, o longa-metragem estrelado por Kurt Russell e Sylvester Stallone pode ser considerada como uma espécie de resposta para o sucesso da franquia Máquina Mortífera, de Richard Donner (que viria a trabalhar com Stallone anos depois em Assassinos), mas com uma dose muito mais forte de humor, ingrediente que diferencia muito Tango e Cash – Os Vingadores de seus concorrentes.

Paródia dos filmes de ação da época, Tango e Cash conta a história de dois policiais com métodos completamente distintos e que acabam se envolvendo em uma perigosa conspiração. Ambos acabam presos e quando descobrem que estão marcados para morrer, precisam encontrar uma maneira de fugir. Tango (Stallone) é o detetive engomadinho, parecido com aqueles almofadinhas que todo mundo tem vontade de dar um soco na cara – ainda que a consequência implique em uma surra homérica. Já Cash (Russell) é o oposto. Bad boy metido a galã, impossível não lembrar de Martin Riggs (Mel Gibson) em Máquina Mortífera, ele não se sente incomodado em explodir tudo, desde que consiga capturar os vilões.

O trunfo do longa-metragem é o senso de humor apurado, com piadas bem trabalhadas e sem parecerem forçadas. Fora os diálogos sarcásticos e a troca de farpas entre os dois heróis, existe outro momento bastante divertido quando Russell precisa virar um travesti para escapar da polícia. É muito engraçado ver o ator com um vestido justo e maquiagem. Melhor ainda é o policial flertando com ele. Logo na sequência, existe uma espécie de truque de humor que engana o espectador, com as roupas dos personagens espalhadas pela casa para dar a impressão de que eles estariam transando. Apenas a confirmação de ser apenas uma impressão errada seria engraçado, mas um outro personagem surge na cena logo depois que o espectador já sabe o que está acontecendo de verdade. A inversão de papéis, essa cumplicidade do filme com o espectador, garante uma boa risada.

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A irmã de Stallone é interpretada por Teri Hatcher, que viria a ficar famosa por dar viva a Lois Lane na série Lois e Clark – As Novas Aventuras de Superman. Não esperem por um milagre aqui: se na série ela já demonstrava suas limitações, mesmo em uma produção em que ela é uma coadjuvante com a função apenas de ser a mocinha idiota em apuros. E mesmo isso é feito de uma maneira desagradável. Pelo menos em questão de performance, pois visualmente até que é interessante… Russell estava com a carreira firme e forte, especialmente após estrelar O Enigma de Outro Mundo e Fuga de Nova York. O mesmo pode ser dito de Stallone, que curtia o auge de sua carreira e ainda era sinônimo de boas bilheterias.

Belo exemplar de produção divertida dos anos 80, Tango e Cash não poupa nem mesmo a franquia 007, já que inclui a sua própria versão do cientista Q. Os fãs de filmes de ação, especialmente os que brincavam com miniaturas, irão se deliciar com esse “clássico” dos anos 80, que passa num verdadeiro piscar de olhos e é capaz de “cegar” os espectadores de detalhes sacados do roteiro. Tudo em prol da diversão.

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