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Território Restrito

Em O Visitante de Thomas McCarthy o tema da xenofobia é apresentado de uma maneira real, mas extremamente poética e romântica. O diretor e roteirista Wayne Kramer (do filme de ação No Rastro da Bala) usou influências de Babel (de Alejandro Gonzales Inharitu) e Traffic (Steven Soderbergh) e emulou bem o modelo de várias histórias em um único filme, o seu Território Restrito. Assim com as produções que tirou de referência, McCarthy também abusou de um bom elenco para a história: Harrison Ford, a deusa Alice Braga, o bonitinho talentoso Jim Sturgess, Ray Liotta e Ashley Judd (do péssimo e imperdoável Possuídos).

Território Restrito apresenta os EUA como um país digno do título do filme. São várias histórias de personagens que estão correndo atrás do tão sonhado greencard. Temos um falso judeu que é afim de uma jovem que pretende ser atriz e acaba virando escrava sexual de um apático funcionário federal, que por sua vez, é casado com uma advogada de defesa de casos de imigração e precisa lidar com uma criança sem mãe e uma muçulmana que foi taxada de terrorista por culpa de uma redação escolar. Ainda temos o Harrison Ford como policial da imigração e que procura por uma mexicana desaparecida e tem que lidar com os valores sociais diferentes de seu parceiro. Ufa.

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Kramer oferece um filme tenso. Triste e emotivo nas medidas certas e deixa os personagens livres de soarem como caricaturas. A atuação de Harrison Ford não é lá das mais inspiradas, mas ele certamente conduz bem o seu personagem. Chega até a lembrar (vagamente) Tommy Lee Jones em Onde os Fracos Não Tem Vez. Por ser um filme com diversas tramas paralelas, os atores tem pouco tempo em cena e infelizmente, o pouco tempo não permitiu atuações brilhantes de nenhum deles. Talvez, exceto, pela loirinha que vira escrava sexual de Ray Liotta. A nudez não foi poupada e não soou nada forçada. Um excelente colírio, diga-se de passagem.

Um tema polêmico merece filmes polêmicos e às vezes, sem finais feliz. Embora tenha minhas dúvidas se o fim de Território Restrito é mesmo feliz. Se a intenção de Kramer foi causar reflexão sobre a xenofobia, não conseguiu um exito completo. Deixou muito a desejar. Mas se foi tratar do assunto sob a ótica das vítimas e dos “perseguidores”, talvez tenha feito um bom trabalho. Mas ainda muito superficial. É um bom filme e merece ser assistido só pela presença do veterano Harrison Ford e a nudez da loirinha linda que eu não sei o nome.

Vou de 3 caipirinhas.

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