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Última Parada – 174

Antes de assistir ao filme, já fui tentando relembrar o que havia assistido no documentário do José Padilha que deu origem à produção de Bruno Barreto. Como todo universitário do curso de comunicação, o documentário foi tema de sala de aula. O poder da mídia foi discutido e apontado como um dos principais culpados pelo acontecimento. Afinal, se não houvessem tantas cameras e cobertura da imprensa no Brasil e exterior, duvido que a equipe do BOPE iria hesitar em atirar na cabeça vazia do meliante. Não é questão de tirar a culpa da ação da polícia, que não conseguiu agir direito e acabou gerando uma morte desnecessária. Eles vacilaram sim, mas até que ponto podemos afirmar que o sequestrador é total culpado por seus crimes?

O meu principal medo antes de ver o filme do Bruno Barreto, era imaginar que o Sandro seria retratado como uma vítima da sociedade. Uma pessoa inocente que por culpa do sistema, se transformou em um ladrão e assassino. Uma pessoa que sobreviveu ao inferno das instituições correcionais. Um dos sobreviventes do massacre da Candelária. Tudo isso contribui bastante para aquela baboseira dos direitos humanos e achava que esse seria o caminho da produção do Bruno Barreto. Um ledo engano.

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Lógico que existem sim as acusações contra o sistema e a desigualdade social é apontada como um dos temas abordados no filme. A cena em que Sandro decide virar um rapper de sucesso e pede ajuda para a madrinha de uma ONG, demonstra a inocência do rapaz. Ele acha que basta ter vontade e uma idéia para conseguir gravar um disco e diante a resposta negativa da madrinha, ele se torna agressivo e a ameaça. Mas até que ponto podemos aceitar que as pessoas se transformem em vagabundos só por conta das dificuldades da vida? É justo ter que ceder o que você tem para outra pessoa que não quer chegar, não consegue chegar em lugar nenhum na vida? Uma outra cena que me chamou bastante a atenção foi quando o Sandro sequestra o onibus e bate em uma de suas vítimas que estava com o celular: “Alô, eu vou chegar atrasada no estágio hoje. O que? Quem tá gritando? Ah, é o assaltante.” Assim… WTF? A banalidade que a garota fala no telefone, como se nada tivesse acontecendo, se fosse algo comum.

Se você não sabe a história do filme e era novo demais para acompanhar tudo ao vivo nas televisões do país inteiro, sugiro que corra atrás do documentário antes. Ele vai acrescentar bastante para o total entendimento do filme de Bruno Barreto, que no fim das contas, é uma boa forma de entretenimento reflexivo. Aponta para os defeitos do Brasil, mas em momento algum transforma o Sandro em um martir. Isso é a última coisa que esse vagabundo merece ser. Então se não viu ainda, assista!

Ah, claro! Para os fãs de Tropa de Elite, uma grata surpresa!

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