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Uma Garota Irresistível

(Factory girl), de George Hickenlooper. Com Sienna Miller, Guy Pearce, Hayden Christensen, Jimmy Fallon, Mena Suvari, Illeana Douglas.

Se existe alguém capaz de roubar a atenção de Andy Warhol, e Bob Dylan, esse alguém é Sienna Miller. Sim!! É graças e sua perfomance em Uma Garota Irresistível que percebemos o quanto Edie Sedgwick é magnética, linda, embora cheia de angústias e traumas do passado, que faz questão de esconder.

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O filme conta a sua história, e de como ela se tornou a musa de Warhol, ao sair de sua cidade rumo a Nova Yorque, para se tornar modelo. Seu carisma atrai instantaneamente Andy, que, segundo suas próprias palavras experimentou algo bem próximo do amor, quando perguntado sobre seu sentimento pela garota. A questão que o filme vem abordar é, se de fato, Andy Warhol(Guy Pearce, irreconhecível) foi o responsável pela crise depressiva que culminou no falecimento de Edie. Ou melhor, se o rompimento entre os dois teve influência em sua morte prematura. E de como as especulações sobre as verdadeiras motivações do artista com relação a Edie influenciaram nisso.
O fato é muitos diziam que ele apenas se aproveitava de seu talento, utilizando-a em seus filmes e fotografias, sem pagar-lhe por isso. Mas a verdade, pelo menos segundo o filme, é que Edie não se importava nem um pouco com isso (sua família já é bem abastada), contentando-se apenas em participar daquele acontecimento que era o surgimento da Pop Art, e das produções artísticas da Factory, um ponto de encontro de artistas, cineastas, e toda sorte de pessoas interessadas em produzir, sem estar preso a amarras devido a liberdade de criação defendida por Warhol.

O relacionamento dos dois começa a se complicar com a entrada da figura de Billy Quinn (Hayden Christensen), na verdade um pseudônimo para Bob Dylan, que não teria aprovado a veiculação de seu nome ao projeto, por não ter concordado com a forma como a história foi contada. Billy é um cantor ainda em início de carreira, que quando apresentado a Warhol por Edie, insiste em abrir os olhos da garota para as desvantagens que ela sofria nesta estranha relação. Ele também é a única pessoa capaz de enxergar a verdadeira Edie por trás de todo o glamour: seus anseios, traumas e a incapacidade de superá-los. Os dois se apaixonam e vivem uma história de amor. E Edie é obrigada a romper com Andy.

Um ponto negativo do filme, talvez seja a fotografia, que não faz jus a segura direção de George Hickenlooper. Enquanto a direção é sempre movimentada, alternando imagens ”caseiras”, reais, preto-e-branco, a fotografia, não consegue nos emergir na aura dos anos 60, quando o filme se passa. Esperava algo parecido com Blow Up, do Antonioni, de repente.

Já a atuação dos atores não deixa a desejar. Se temos Siena Miller belíssima, com toda a sua fragilidade em contraponto com uma beleza que toma a tela, Guy Pearce está totalmente tomado por Warhol, e conseguiu conferir sensibilidade a uma figura que a princípio, pode parecer meio antipática. Já Hayden Christensen (ou Darth Vader se preferirem) não tem uma performance a altura de seus companheiros de elenco. Mesmo com uma boa caracterização, que faz com que reconheçamos Bob Dylan em seu Billy Quin, não consegue estabeler empatia alguma com o público, e, como resultado, não torcemos por seu personagem.

Mas a missão do filme é cumprida no fim das contas, já que, todas as Edie Sedgwick’s que existiram (em uma de suas falas ela faz questão de pontuar que exitem muitas, dentre as quais devemos escolher qual será filmada) estão lá. O que nos faz entender o por quê de uma vida tão intensa e curta já que Edie morreu vítima de overdose aos 28 anos.

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