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Veronika Decide Morrer

Não sei se meu preconceito com a obra de Paulo Coelho se deve ao fator de ser senso comum falar mal do trabalho do escritor ou por se tratar de um autor de best-sellers super hypado no meio. A minha única experiência com a prosa de Coelho, aconteceu há muitos anos quando devorei O Alquimista em uma tarde que passei numa oficina mecânica. Sim. Deixo aberto a votação o que foi mais bizarro nesse dia: eu numa oficina ou lendo um livro do Paulo Coelho. Mas deixando as piadas de lado, eu devo confessar que gostei do texto. Mesmo sendo um livro de auto-ajuda disfarçado e com vícios de escrita que conseguem prender a atenção do leitor, eu gostei bastante. Agora, anos depois desse primeiro contato, eis que vejo a adaptação do livro Veronika Decide Morrer. O que falar?

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Preciso dizer que O Alquimista foi o meu único contato com a obra do escritor e que não tenho ideia de como foi a recepção dos fãs com o tema desse post. Provavelmente devem ter gostado com algumas ressalvas. De qualquer forma, o que se pode levar de Veronika Decide Morrer é uma bela lição de vida. Sem nexo, com ausência total de explicação do motivo de ser dos personagens secundários (ou seria apenas uma atuação vazia do elenco? dificil responder), mas extremamente contagiante e sensível. Isso para mencionar apenas o que diz respeito a história em si. Sarah Michelle Gellar será sempre a atriz da série Buffy – A Caça Vampiros (que nessa febre toda em torno dos dentuços, deveria ganhar um pouco de destaque por ter sido uma das pioneiras em misturar adolescentes se apaixonando/matando vampiros) e já naquela época não conseguia mais que arrancar suspiros. Hoje em dia nem isso ela anda conseguindo direito…
Veronika é uma personagem deprimida e que se cansou de viver o mesmo dia várias vezes por toda eternidade. Depois de uma mensagem irada contra uma campanha publicitária (seria esse um dos valores que o roteiro/livro tentam pregar? uma crítica a sociedade de consumo, a qual o best-seller faz parte, e ao cruel padrão de beleza e comportamento aceitos na sociedade?), ela decide (mestre Pablo Villaça fez uma piadinha infame usando o título do filme em sua crítica, vale a pena ler. como sempre) se entupir de remédios e uma garrafa de Johnny Walker. Mas o plano dela dá errado e ela acaba ficando em coma por duas semanas até que acorda e descobre que tem apenas mais uma semana de vida. E` então que a personagem passa a agir de uma forma completamente diferente e começa a se sentir feliz, de uma forma que não se sentia a muito tempo, com direito até mesmo de se apaixonar por um paciente do hospital.
Assista por sua conta e risco. E ciente da possibilidade de se sentir deprimido depois do filme. E o pior será não saber o motivo: o filme que trouxe essa sensação, não há dúvidas, mas será que foi pela história ou só por ser meio ruinzinho mesmo? Pelo menos posso dizer que agora arriscaria ler outro romance do Paulo Coelho… e espero não me arrepender de ter revelado isso.

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