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A Viagem de Lúcia

A Viagem de Lúcia é uma co-produção italiana com nossos hermanos argentinos que  apresenta a história de Lúcia, uma comissária de bordo de meia-idade. Que após anos de casamento com um médico alergista parece não ser mais enxergada pelo marido. Sem filhos, ela aparentemente não consegue engravidar por motivos psicológicos, Lúcia é uma mulher seca, quase não fala, tem expressão dura. Sua personalidade é espelhada em sua casa ampla, clara, hermeticamente arrumada e cheia de solidão. Aconselhada por seu médico a aproveitar melhor os seus dias, Lúcia decide dar aulas de piano e assim seu destino se cruza com o de Lea.




Lea é o oposto em tudo de Lúcia: jovem, trabalha numa fábrica de alimentos, aparentemente “não leva nada a sério”, mas está sempre à espera de um algo a mais. É um espírito livre que busca viver a vida da melhor forma possível. E, apesar de ser o contraste em relação à Lúcia – enquanto Lea anda descalça, Lúcia mal consegue ser tocada por alguém – o convívio entre as duas acaba por promover uma transformação em Lúcia, que encontra em Lea um afeto que há muito não recebia e uma  forma de ver a vida que ela desconhecia. Um momento interessante do filme é a brincadeira que Lea promove de trocar as tintas de cabelo das embalagens no supermercado, com o objetivo de “(…) dar as pessoas uma visão diferente de si mesmas”.

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No momento que Lúcia descobre que o Lea iria para Patagônia devido a uma oferta de emprego, ela resolve abandonar tudo e revela seu amor pela garota. Neste momento o filme caminha em passos firmes para o envolvimento entre as duas mulheres; vai do sexo a paixão e da paixão à crise; ambas vão se conhecendo ao mesmo tempo que lutam com os seus demônios interiores.

A Viagem de Lúcia torna-se uma experiência agradável ao evitar o pieguismo e explicações desnecessárias. As despedidas e os encontros são silenciosos: não há necessidade das palavras. O roteiro e direção de Stefano Pasetto são eficientes ao nos mostrarem conflitos pessoais das personagens e ao explicar suas escolhas. Na maior parte das vezes, as imagens falam por si só.

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