Vinicius

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POETA, DRAMATURGO, DIPLOMATA, CRÍTICO DE CINEMA, jornalista, cronista, cantor, compositor e, principalmente, um apaixonado pela vida e pelas mulheres. Vinicius de Moraes foi um artista multimídia before it was cool, e são essas múltiplas facetas que aparecem no documentário Vinicius, de Miguel Faria Jr., lançado em 2005.

Foi recordando as inúmeras histórias que amigos e familiares têm para contar do “Poetinha”, aliadas a uma excelente pesquisa de imagens de arquivo, que o filme conseguiu resgatar esse que é um dos mais ricos personagens da nossa música. “Causos” não faltam, e o documentário desfila um elenco de entrevistados que, se à época do surgimento da bossa nova e dos Afrosambas de Vinicus e Baden Powell eram só uma turma que cantava e tocava de um jeito diferente, hoje são alguns dos mais respeitados nomes da música brasileira.

Chico Buarque conta, entre os muitos sorrisos evocados ao falar do amigo do pai e eventual parceiro de composição, de quando Vinicius foi vaiado pela plateia portuguesa; Maria Bethânia se recorda de quando apresentou a amiga Gesse Gessy ao Poetinha, que se apaixonou à primeira vista por sua esposa de número sete, responsável por levá-lo a Itapuã, praia imortalizada nos versos escritos com Toquinho. Carlos Lyra, Gilberto Gil, Caetano Veloso, filhas e demais amigos se recordam de Vinicius com o mesmo bom humor que demonstrou a vida toda.

Sem cair no sentimentalismo, o documentário opta por dar igual destaque à obra e à vida do artista, e é aí que talvez esteja seu único equívoco. Camila Morgado e Ricardo Blat dão vida aos textos do poeta em um palco de teatro de forma intensa, mas as entrevistas e suas performances são entrecortadas ainda pelas vozes de Adriana Calcanhotto, Zeca Pagodinho e Mônica Salmaso, entre outros, interpretando canções como “Eu sei que vou te amar”, “Insensatez” e “Coisa mais linda”.

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Embora seja mais que válida a ideia de resgatar Vinicius de Moraes por meio de suas criações – afinal, dá para dissociar o homem do artista, e vice-versa? -, esse recurso acaba por prejudicar o ritmo da narrativa em alguns momentos, seja pelas versões que raramente lembravam a alegria sinônimo de seu compositor, seja pelo estranhamento que pode ser sentido ao mudar das imagens de arquivo para o palco sem muitos movimentos.

No entanto, o que Vinicius, o filme, faz é trazer de volta à vida um dos mais importantes e interessantes personagens brasileiros. Sem se limitar apenas aos momentos que contribuíram para imortalizar sua obra em nossa música e poesia, o documentário toca em algumas feridas, deixando a cargo do espectador decidir vê-lo como beberrão ou boêmio, apaixonado ou mulherengo. Mais que isso, Vinicius ajuda a manter viva a memória do poeta, dramaturgo, diplomata, crítico de cinema, jornalista, cronista, cantor, compositor e apaixonado pela vida e pelas mulheres – todos eles em um.

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Título original: Vinicius
Direção: Miguel Faria Jr.
Roteiro: Miguel Faria Jr., Eucanaã Ferraz, Diana Vasconcellos, Rubem Braga (trecho)
Elenco: Camila Morgado, Ricardo Blat, Caco Ciocler, Maria Bethânia, Toquinho, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tônia Carrero, Yamandu Costa, Antônio Cândido, Ferreira Gullar, Francis Hime, Edu Lobo, Carlos Lyra, Miúcha, Zeca Pagodinho, Mônica Salmaso
Lançamento: 2005
Nota:[quatro]

Nathália Pandeló

Jornalista, diretora de conteúdo na Build Up Media e amante de música, cinema, literatura e TV.