Volver

por João

de Pedro Almodóvar. Com Penélope Cruz, Carmem Maura, Lola Dueñas e Yohana Cobo.

Volver é dos filmes que assisti de Almodóvar, o mais leve. Afinal de contas é um filme sobre a alegria de viver. O que para Almodóvar, é um privilégio dado apenas às mulheres.
O filme conta a história de Raimunda (Penélope Cruz), uma mãe de família trabalhadora que passa por problemas familiares (um eufemismo na verdade, mas não quero estragar a história!!), com os quais precisa lidar. Paralelamente a isso, a morte de uma tia, e os boatos de que o fantasma de sua mãe falecida, voltou do outro mundo.
Sim! Tem tudo pra ser um drama. Mas não é essa a intenção de Almodóvar. O que vemos são mulheres cujas dificuldades, não são motivos para se entregar diante da vida, mas obstáculos a seres ultrapassados, e pelos quais não se deve perder tempo lamentando. Mulheres a todo momento impulsivas (e quem, nos filmes de Almodóvar não é?), embora não se punam por isso. E sobretudo admiráveis, pelo olhar sempre acolhedor com que olham para a vida (mesmo em contato direto com a morte, como na cena inicial).
Esta característica, é ressaltada principalmente em Raimunda, que, ao que parece, encontrou sua intérprete perfeita em Penélope Cruz. Linda como a tempos não se via (Almodóvar não exita em explorar seus decotes), é o tipo ideal da dona de casa desesperada, mas que não perde tempo quando se trata de solucionar seus problemas. Pega emprestado daqui, enterra de lá, Raimunda é uma mulher ativa, e o modo como Cruz, passa isso ao espectador, é quase apaixonante. Em todas as tomadas em que está presente, rouba nosso olhar, o que se evidencia ainda mais, na cena em que canta (na verdade dubla), a música que dá nome ao filme. Realmente, Penélope Cruz passa a ser uma de minhas divas…
Outro show à parte como sempre, é a direção de Almodóvar. Sempre capaz de tratar temas pesados da forma mais leve e bela possível. Desde o belo plano que abre o filme, até suas famosas cores estão lá, fazendo um contraponto ao tema da morte, e de sua inevitabilidade, que permeia toda a trama. Mas o sentido de Volver está nessa homenagem que Almodóvar faz ao espírito feminino. Será possível que o homem, com a insensibilidade que lhe é própria, seria capaz de superar momentos difíceis, de ser solidário, e de viver a vida levemente como aquelas mulheres? A respostaé fatalmente negativa.
Volver, tem lugar garantido entre as obras primas do diretor. Almodóvar só tem feito filmes bons!! Volver não é excessão, e dá até vontade de (re)ver outros títulos de sua filmografia.

  • Fla

    Particularmente, amei! Adoro filmes espanhóis… e esse post falou tudo!

    😉

  • 😀 eu sempre tive vontade de ver este filme… ainda bem q eu nao vi… pois senão eu ia escrever sobre ele aqui. (AHHAHAHAHA)
    Acho até que deveriamos mudar o nome do blog para “CINEMA E FELICIDADE” ou então pra “Cine-auto-ajuda”
    😛

  • eu ainda *volver* esse filme! (6)

  • KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  • 2T

    uaheuhauehauehauheuaheuahueahe
    adoro

  • ow……….
    “cinema felicidade” já é sacanagem…

    pow joubert!!

  • Dri

    Esse filme é muiiiito bom.

    *__*

  • Opa!

    Volver é muito bom. Sua análise é tão brilhante, que dá até vontade de ver de novo, mesmo tendo visto tão recentemente…
    Não deu pra segurar aquele riso (sutil e irônico) que a gente dá quando lê algo bem escrito, inteligente e sarcástico, em partes como “uma mãe de família que passa por problemas familiares “, “Pega emprestado daqui, enterra de lá, Raimunda é uma mulher ativa”)…

    Valeu, novamente, pela indicação.
    E parabéns, novamente, pela opinião…

João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.