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Crítica: Vou Rifar Meu Coração

NÃO SOU DE ESCREVER CRÍTICA EM  PESSOA, mas Vou Rifar Meu Coração tem um toque especial e merece um post assim.

Minha infância foi embalada ao som do cancioneiro popular, que fazia a trilha sonora de uma dona de casa, que no caso é a minha mãe. Antes de se casar com o meu pai, ela veio do Piauí com 18 anos e trabalhou em alguns lugares, inclusive uma gravadora bem famosa nos anos 80, a Discos Copacabana. Ou seja: o acesso à música romântica popular era enorme, ainda mais quando se trabalha diretamente com esses artistas. Essa influência veio à tona quando eu tinha uns três, quatro anos, e é uma das mais gostosas lembranças da minha vida. Fui assumir que tenho um pézinho no brega depois de completar meus 20 e tantos anos. Jamais contaria esse fato durante minha adolescência rock’n’roll! O que era vergonha, agora tornou-se um orgulho.

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O filme foi atrás de pessoas da mesma origem que a minha mãe: gente simples, sonhadora, apaixonada e com o sonho de encontrar o amor de sua vida. Essa galera é movida pelo som feito por pessoas cuja vida não foi tão diferente, talvez com um pouco mais de sucesso. O amor pela música denominada brega vem da coincidência da letra com seus sofrimentos e casos amorosos.

No documentário, todos os artistas afirmaram que já sofreram por amor, e isso sempre será a fonte de inspiração de suas composições. Um deles (Lindomar Castilho, autor da canção que intitula o documentário) assassinou a esposa por ciúme. Outros grandes cantores dão seus depoimentos no documentário: Agnaldo Timóteo, Amado Batista, Nelson Ned, Waldick Soriano, Odair José, Evaldo Braga e outros. Chorei quando vi o Wando falando sobre as dores do amor, cuja cena veio seguida de “Moça”.

Um dos pontos legais e até um pouco polêmico é quando falam que são considerados bregas por causa de suas origens simples. O grande Odair José chega a questionar sobre Chico Buarque, já que suas músicas são adoradas pela elite, mas se fosse de origem pobre, seria um cantor brega também. Como Odair disse “a dor do amor atinge a todas as classes sociais, a diferença é que o pedreiro chora em uma casa de merda e o médico sofre num apartamento de frente para o mar”. Esse cara é genial!

O filme é recomendado pra quem já sofreu por amor, pra quem curte um brega, pra quem se interessa pela cultura nacional ou para quem apenas gosta de música. É super divertido, encantador, modesto e a sua trilha sonora é perfeita. Se isso é música ruim, vou dizer as palavras de Tom Zé: o nosso lixo é o melhor do mundo! Viva a verdadeira música popular brasileira!

É claro que lhe darei 5 caipirinhas, com direito a um som de Amado Batista rolando na Juke Box do Buteco.


Nota:

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