Crítica: X-Men, de Bryan Singer
Críticas de filmes

X-Men

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X-MEN É UM FILME SOBRE SERES COM PODERES DE CONTROLAR O CLIMA, soltar raios pelos olhos, controlar mentes, criar campos magnéticos e entre outros poderes extremamente fantasiosos, mas ao contrário do que pode indicar, o filme não é exatamente fantasioso, pois ele utiliza os mutantes (os seres humanos com superpoderes) como uma analogia para minorias em geral.

No começo do filme acompanhamos encontro entre o Wolverine e a Rogue até que eles são atacados pelo Dentes de Sabre e são salvos pelo Ciclope e a Tempestade. Depois do ataque eles são levados para a mansão do Xavier e somos introduzidos a vários mutantes. Logo no início da obra somos apresentados à situação dos mutantes perante os não mutantes: no senado eles tentam passar uma lei de registro mutante, alegando que os mutantes são perigosos como armas e que é necessário de um registro. Registro, segregação. Conseguem perceber que embora seja um filme de super-herois, os temas dialogam com segregação de minorias étnicas? Só que ao contrário de grupos étnicos diferentes, os mutantes são REALMENTE diferente dos humanos normais e de fato podem oferecer um grande perigo aos humanos. Humanos que em sua fragilidade e ignorância reagem aos mutantes com hostilidade e medo.

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De maneira simples, entre os mutantes existem duas vertentes: os que acreditam em uma paz entre os humanos e os mutantes e que todos poderão viver em paz; e os que acreditam que ocorrerá uma guerra entre os humanos e os mutantes, tendo total descrença na capacidade de paz dos seres humanos. Do lado dos mutantes que acreditam que irão viver em harmonia está o Charles Xavier que coordena uma escola que ele treina mutantes, além de oferecer à eles um ambiente livre da hostilidade dos humanos. Já do lado dos mais céticos quanto à paz, está Magneto, que antagoniza Xavier durante a obra. E me recuso a chama-lo de vilão, pois ele não é um, ele apenas tem um posicionamento diferente dos protagonistas (e que a meu ver é um posicionamento bastante coerente).

“Não há paz, aqui ou em qualquer outro lugar. Famílias inteiras destruídas só porque nasceram diferentes daqueles em poder” Essa fala (que pode se adequar à várias outras minorias) é proferida pelo Magneto antes de dar início à um plano que vai ativar uma máquina capaz de transformar humanos em mutantes, embora ele não saiba que depois de algum período as células dos transformados começa a se deteriorar o que ocasiona a morte deles. De qualquer forma isso é irrelevante para ele, que carrega um grande ódio pela humanidade. Na primeira cena que vemos o Magneto (a primeira do longa, por sinal) acompanhamos ele em um campo de concentração. Agora no presente ele vê novamente os humanos querendo registrar outros, segregar outros, e pior, seres que na visão dele são superiores! É natural que ele seja cético quanto à capacidade dos humanos de conviver com algo diferente. Eles não são capazes de viver em paz nem sequer com eles mesmos.

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X-Men é um filme de super-herois muito bem dirigido pelo Bryan Singer, que tem consciência dos seus personagens e tem o cuidado para desenvolvê-los, então uma boa parte dos filmes é para desenvolver esses personagens, o que faz com que as cenas de ação seja muito mais interessantes, pois nós entendemos as motivações de todos os personagens. X-Men é um dos melhores filmes de heróis que surgiram na década passada, todos os 3 primeiros são excelentes e o primeiro filme do Wolverine é um lixo.

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Título original: X-Men
Direção: Bryan Singer
Produção: Lauren Shuler Donner, Ralph Winter
Roteiro: David Hayter
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian McKellen
Lançamento: 2000
Nota:[cinco]

João Golin

O mais novo da equipe do Cinema de Buteco, ele é o único que realmente tentou estudar cinema seriamente. No processo, aprendeu a beber, se apaixonou mais uma vez por Taxi Driver, e sonha com o dia em que ganhará uma faixa escrita: "nós amamos o Gollum".