12 Filmes para ver na Mostra de SP | Cinema de Buteco
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12 Filmes para ver na Mostra de SP

Entre vencedores de festivais internacionais, destaques no cenário nacional, novos projetos de diretores de peso e clássicos restaurados, tem para todos os gostos na programação da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que já está sendo louvada pelos “mostreiros” como a mais consistente desde o início da regra do ineditismo

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ATÉ QUE ENFIM, ESTÁ CHEGANDO A HORA. À ocasião da coletiva de imprensa realizada no CineSesc na manhã do último sábado (04 de outubro), a organização da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo divulgou a lista completa dos longas que serão exibidos entre os dias 16 e 29 de Outubro, dando assim o pontapé inicial para o evento, que este ano exibirá 331 filmes entre seus 35 locais de exibição.

Apresentando uma retrospectiva completa da obra do espanhol Pedro Almodóvar, que também criou as artes da logo e da vinheta desta edição (além de revisitar também as filmografias de seu conterrâneo Víctor Erice e do japonês Noboru Nakamura e o catálogo do influente produtor e distribuidor Marin Karmitz, que, através de sua MK2, lançou clássicos inquestionáveis, como a “trilogia das cores” de Krzysztof Kieslowski, além de longas de Alain Resnais, Michael Haneke, Lars von Trier, Olivier Assayas e os irmãos Taviani, entre outros), a Mostra trará também ao Brasil uma série de filmes que fizeram sucesso nos principais festivais ao redor do mundo, além dos novos trabalhos de cineastas importantes que costumam gerar ansiedade nos cinéfilos.

Pois, para preparar o leitor do Cinema de Buteco para a cobertura completa que faremos do evento, decidimos eleger os doze filmes mais imprescindíveis de sua programação – assim, mesmo que você não disponha do tempo necessário para fazer um mergulho total na overdose de bom Cinema que São Paulo viverá nas próximas semanas, como alguns de nossos colaboradores farão, ao menos poderá seguir nossas dicas e não perder o que ela apresentará de mais atraente. Ah, sim, lembrando que esta lista se concentrará apenas nos longas inéditos – afinal de contas, ninguém precisa dizer que a exibição da versão sem cortes das duas partes de Ninfomaníaca e de cópias restauradas e novinhas de filmes como Falstaff, de Orson Welles, por exemplo, representa uma oportunidade única na vida, certo?

Sem mais delongas, vamos à lista. Quer aproveitar apenas o filet mignon da programação da 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo? Então talvez você devesse começar por estes filmes (que apresentarei em ordem alfabética):

Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria, França/Suiça/Alemanha, 2014), de Olivier Assayas

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Filme pelo qual Juliette Binoche recebeu vários elogios no Festival de Cannes (perdendo o prêmio de Melhor Atriz para Julianne Moore por Mapa para as Estrelas, de David Cronnenberg) e dirigido por Olivier Assayas, figurinha carimbada na Mostra e responsável pela obra-prima Carlos (também exibida aqui), Acima das Nuvens já tem distribuição garantida pela Califórnia Filmes no circuito comercial. Ainda assim, nunca se sabe o tempo que o longa levará para chegar às telas de São Paulo e do Rio – e muito menos se chegará a outras praças do país.

Branco Sai Preto Fica (Idem, Brasil, 2014), de Adirley Queiroz

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Se você só vai ver um filme brasileiro (eu gosto de tentar assistir ao maior número possível de produções nacionais, cuja seleção costuma apresentar uma qualidade média excepcional), veja este, que não apenas papou tudo na última edição do Festival de Brasília como foi um dos filmes mais comentados do Festival de Gramado.

Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit, Bélgica/França, 2014), de Jean-Pierre e Luc Dardenne

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Estrelado pela sempre maravilhosa Marion Cotilard, o novo trabalho dos irmãos Dardenne – não apenas queridinhos do Festival de Cannes (apesar deste ter sido o primeiro filme deles a não ganhar um prêmio sequer na riviera francesa) como idolatrados pelos “mostreiros” -, Dois Dias, Uma Noite, terá certamente as sessões mais concorridas do festival – e portanto, com ou sem credencial, você corre sérios riscos de não conseguir vê-los caso dê o menor vacilo.

Foxcatcher: Uma História Que Chocou o Mundo (Foxcatcher, EUA, 2014), de Bennett Miller

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Sob a direção de Bennett Miller, dos ótimos Capote e O Homem Que Mudou o Jogo, Foxcatcher: Uma História Que Mudou o Mundo traz Steve Carell em um papel dramático que, segundo vários críticos, pode lhe render a primeira indicação ao Oscar de sua carreira. Mas não é só: também exibido em Cannes este ano, o longa foi um dos únicos a conquistar elogios de praticamente toda a crítica do festival e ainda levou o prêmio de Melhor Diretor.

A Gangue (Plemya, Ucrânia/Holanda, 2014), de Miroslav Slaboshpitsky

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Vencedor do prêmio da crítica em Cannes, A Gangue foi citado por alguns críticos como um filme que pode entrar para a História por sua ambição artística e narrativa. Narrado inteiramente em linguagem de sinais, sem tradução simultânea ou legendas, o longa dirigido pelo ucraniano  Miroslav Slaboshpitsky promete ser, no mínimo, uma experiência desafiadora para o cinéfilo que curte “sair da caixinha”.

Leviatã (Leviathan, Rússia, 2014), de Andrey Zvyagintsev

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Ainda que Acima das Nuvens e Dois Dias, Duas Noites atraiam mais os holofotes pelo prestígio de seus diretores e de suas premiadas protagonistas, foi Leviatã o grande favorito de muitos críticos que cobriram o Festival de Cannes deste ano e vencedor do prêmio de Melhor Roteiro. Assistir ao filme também pode representar uma daquelas oportunidades que a Mostra adora dar, de conhecermos a filmografia de cineastas festejados por onde quer que passem, mas que ainda não se tornaram conhecidos pelo cinéfilo brasileiro.

Livre (Wild, EUA, 2014), de Jean-Marc Vallée

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Nos últimos dois ou três anos, Reese Witherspoon vem tentando se afastar do estereótipo, que ela mesma criou com suas escolhas, da loira atrapalhadinha das comédias românticas – e muitos acreditam que é por este drama minimalista sobre uma mulher que se afasta natureza adentro para tentar curar-se de uma tragédia que ela finalmente conseguirá uma nova indicação ao Oscar. A direção é do canadense Jean-Marc Vallée, de Clube de Compras Dallas.

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En Duva Satt Pa En Gren Och Funderade Pa Tillvaron, Suécia, 2014), de Roy Andersson

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Com esse nome bizarríssimo (vamos esperar para ver se ele faz algum sentido, não é mesmo?), o filme de Roy Andersson, que o IMDb credita como sendo uma comédia, surpreendeu ao vencer o disputado Leão de Ouro no Festival de Veneza. É credencial mais que suficiente para que qualquer cinéfilo se interesse em se aventurar neste longa que ainda é um verdadeiro mistério.

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, Argentina/Espanha, 2014), de Damián Szifrón

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Relatos Selvagens acabou de bater o recorde, que antes pertencia a O Segredo dos Seus Olhos, de Jean-Jose Campanella, de maior bilheteria de todos os tempos na Argentina. Anunciado como o novo tranalho do hors concours Ricardo Darín, é o filme que abre a Mostra e deverá ter sessões bastante cheias. Mas calma: caso você não consiga pegar ingresso, o filme será lançado em circuito comercial pela Warner já no próximo dia 23.

Retorno a Ítaca (Retour à Ithaque, França, 2014), de Laurent Cantet

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Laurent Cantet é simplesmente o realizador de uma das obras-primas mais importantes da década passada, o magnífico Entre os Muros da Escola. Mestre em se equilibrar sobre a linha fina que separa documentário e ficção, Cantet traz seu novo filme à Mostra sem grande estardalhaço – o que não quer dizer que qualquer coisa que ele faça mereça ser ignorada.

O Segredo das Águas (Still the Water, Japão, 2014), de Naomi Kawase

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A diretora japonesa Naomi Kawase é um verdadeiro fenômeno em Cannes: selecionada para as competições do festival a cada novo projeto que realiza, ela já venceu a Câmera de Ouro e o Grande Prêmio do Júri e concorreu à Palma de Ouro quatro vezes. Na edição deste ano, seu O Segredo das Águas foi praticamente um consenso, conquistando fefensores ferrenhos e alimentando chances de vitória até minutos antes da premiação.

Winter Sleep (Idem, Turquia, 2014), de Nuri Bilge Ceylan

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O filme que venceu uma das Palmas de Ouro mais disputadas da última década precisa de apresentações? Se sim, o filme anterior do turco Nuri Bilge Ceylan, disponível em DVD no Brasil, mostra que o cineasta atingiu um nível de controle narrativo que pouquíssimos diretores em atividade possui, transformando-se rapidamente na promessa de se tornar um dos nomes mais relevantes do Cinema atual.

Lembrando que os filmes Acima das Nuvens, Dois Dias, Uma Noite, Foxcatcher, Leviatã, Relatos Selvagens e Winter Sleep já foram comentados por Larissa Padron na nossa cobertura do Festival de Cannes. Confira!

Por enquanto, é isso. E você, já começou a montar sua programação? Espero que, com essas dicas, você não esteja mais 100% no escuro. Aproveite para usar o espaço de comentários para interagir conosco e sugerir os filmes que você gostaria que fossem vistos por nossos críticos e recebessem críticas e vídeos nas próximas semanas.

Um abraço e… a gente se vê na Mostra. 😉

João Marcos Flores

Crítico de Cinema associado à OFCS (Online Film Critics Society, a maior associação de críticos online do mundo, sediada nos EUA) e editor do blog Cineviews.