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Confira os vencedores do Festival de Cannes 2015

premiados

Foram divulgados os vencedores do 68º Festival de Cannes, que ocorreu de de 13 a 24 de maio de 2015.

Em um ano em que os filmes franceses não foram tão elogiados quanto costumam ser, o júri presidido pelos irmãos Coen, entregou a Palma de Ouro para o francês Dheepan, de Jacques Audiard, que já havia exibido no Festival os filmes Ferrugem e Osso e O Profeta – vencedor do grande prêmio do júri em 2009.

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O grande prêmio do júri foi para o diretor húngaro László Nemes, estreante no Festival com o filme Saul Fia. O prêmio do júri foi para o grego Yorgos Lanthimos que já havia vencido a mostra Um Certo Olhar por Um Dente Canino e estreou em competição e em língua inglesa neste ano.

O chinês Hsiao Hsien Hou (Três Tempos e A Viagem do Balão Vermelho), já indicado a sete Palmas de Ouro venceu como o melhor diretor por The Assassin e o prêmio de melhor roteiro foi para o mexicano Michel Franco, por Chronic, que estreou em língua inglesa e na mostra principal, após vencer o prêmio da mostra Um Certo Olhar pelo elogiado Depois de Lúcia.

No prêmio de melhor atriz houve um empate e uma surpresa: todos esperavam que Cate Blachett levasse por Carol, mas foi sua companheira de tela Rooney Mara que levou o prêmio e o dividiu com a francesa Emmanuelle Bercot (que também dirigiu o longa de abertura do Festival, La Tête Haute), por Mon Roi, de Maiwen. O prêmio de melhor ator também foi para um francês: Vincent Lindon, por La Loi du Marché.

O Brasil esteve representando pelo prêmio Câmera de Ouro, destinado a diretores estreantes: César Augusto Acevedo venceu por La tierra y la sombra, uma coprodução entre Brasil e Colômbia.

Outra coprodução, desta vez entre Brasil e Argentina, Paulina, de Santiago Mitre, venceu o Júri Nespresso, o principal prêmio atribuído na Semana da Crítica, uma das principais mostras paralelas do Festival.

A mostra Um certo Olhar, cujo juri, neste ano, foi presidido pela atriz Isabella Rossellini, premiou o islandês Hrútar, de Grímur Hákonarson.

Veja todos os concorrentes a Palma de Ouro 2015 aqui e saiba mais sobre os vencedores abaixo:

Dheepan, de Jacques Audiard – Palma de Ouro

O Dheepan é um combatente da independência tâmil, um Tigre. A guerra civil está terminando no Sri Lanka, a derrota aproxima-se e Dheepan decide fugir. Leva com ele uma mulher e uma menina que não conhece, esperando assim obter mais facilmente o asilo político na Europa. Ao chegar a Paris, esta “família” vive em instituições de acolhimento, até Dheepan obter um emprego de guarda num prédio dos subúrbios.

Ele espera construir uma nova vida e um verdadeiro lar para a sua falsa mulher e falsa filha. Em breve, no entanto, a violência cotidiana dos subúrbios faz ressurgir as feridas ainda abertas da guerra e o soldado Dheepan terá de despertar os seus instintos guerreiros para proteger o que ele esperava ser a sua “verdadeira” família.

saul fiaSaul Fia (Son of Saul), de László Nemes – Grande Prêmio do Júri

Outubro de 1944, Auschwitz-Birkenau.

Saul Ausländer é membro do Sonderkommando, o grupo de prisioneiros judeus isolado do resto do campo e forçado a ajudar os nazis no seu plano de exterminação. Trabalha em um dos crematórios quando descobre o cadáver de um rapaz em cujos traços reconhece o filho. Enquanto o Sonderkommando prepara uma revolta, decide realizar o impossível: salvar o corpo da criança do fogo e oferecer-lhe uma verdadeira sepultura.

the lobsterThe Lobster, de Yorgos Lanthimos – Prêmio do Júri

Num futuro próximo, qualquer pessoa solteira é apreendida, transferida para o Hotel e tem 45 dias para encontrar a alma gêmea. Passado esse prazo, será transformada no animal que escolher. Para escapar a esse destino, um homem foge e, na floresta, junta-se a um grupo de resistentes; os Solitários.

the assassin

Nie Yinniang (The Assassin), de Hsiao Hsien Hou – Melhor Diretor

China, século IX.

A Nie Yinniang regressa à família após anos de exílio. Educada por uma freira que a iniciou às artes marciais, tornou-se numa verdadeira justiceira cuja missão é eliminar os tiranos. O seu mestre dá-lhe a missão de matar o seu primo Tian Ji’an, o governador dissidente da província militar de Weibo. Nie Yinniang terá de escolher: sacrificar o homem que ama ou romper para sempre com “a Ordem dos Assassinos”.

Chronic-posterChronic, de Michel Franco – Prêmio de Roteiro

Enfermeiro, David trabalha com pessoas em fase terminal. Meticuloso, eficaz e apaixonado pela profissão, estabelece relações que vão muito além do âmbito medical e instaura uma verdadeira intimidade com os seus pacientes. Mas na sua vida privada, David é ineficaz, desajeitado e reservado. Precisa dos seus pacientes como estes o necessitam a ele.

Carol, de Todd Haynes – Prêmio de melhor atriz para Rooney Mara (empate)

Nova York, década de 1950. Therese, jovem empregada de uma loja de departamentos de Manhattan, conhece uma cliente elegante, Carol, uma mulher atraente, prisioneira de um casamento pouco feliz. À faísca do primeiro encontro segue-se rapidamente algo de mais profundo. As duas mulheres, em breve, acabam por ficar presas entre as convenções e a sua atração recíproca.

Mon Roi, de Maïwenn – Prêmio de melhor atriz para Emannuele Bercot (empate)

Tony é admitida num centro de reeducação após uma grave queda de esqui. Dependente do pessoal médico e dos analgésicos, recorda a história tumultuosa que teve com o Georgio. Por que razão se amaram? Quem é realmente o homem que ela adorou?  Como pode ela submeter-se a essa paixão sufocante e destruidora? Para a Tony é uma difícil reconstrução que se inicia, um trabalho corporal que lhe permitirá talvez libertar-se definitivamente

la loi du marcheLa Loi Du Marché (The Measure of a Man), de Stéphane Brizé – Prêmio de Melhor Ator para Vincent Lindon

Aos 51 anos, após 20 meses de desemprego, Thierry começa um novo trabalho que, em breve, o coloca face a um dilema moral. Para guardar o seu emprego, será que pode aceitar tudo?

Hrutar (Rams), de Grímur Hákonarson – Vencedor da Mostra Um Certo Olhar

Num vale isolado na Islândia, dois irmãos que não falam um com o outro há quarenta anos vão ter de se unir para salvar o seu bem mais precioso: os seus carneiros.

Confira também a cobertura completa do 67º Festival de Cannes.

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