Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Indie 2009 – DIA 01

Numa dessas retrospectivas do Indie desse ano, me deparei com um diretor surpreendente: Brillante Mendoza das Filipinas, com seu Serbis, ele cumpre o que promete quando diz: “Quero ficar o mais próximo possível da realidade, mostrar minha comunidade, quem são, como vivem. Vivo num país matriarcal onde 90% da população é pobre. Quero que as pessoas entrem no cinema e sintam de perto meus filmes”. É a realidade nua e crua de uma família que ganha a vida administrando um cinema pornô. Sexo, prostituição e a diluição da instituição familiar, em detrimento de um conservadorismo que insiste em permanecer alerta. Cenas fortes, chocantes. Nada exageradas quando se considera a intenção do diretor em traduzir em imagens, o mundo no qual a família Pineda está imersa.

A degradação do ser humano quando a falta de referências morais aparece, mesmo que devagar e não intencionalmente (na figura do garoto que presencia momentos sem considerar a gravidade deles). A inocência que ainda vê esperança quando só o que se apresenta é perversão. Pobreza e miséria. A busca por redenção. “Nosso cinema precisa de reparos”, diz a matriarca da família ao constatar que uma cabra invadiu a sala de projeção, interrompendo o ritual dionisíaco que se passava. Será que ela se referia a sua própria vida?

- Advertisement -

O final é quase enigmático: uma película se incendeia. Não existe mais filme. Ou melhor, não existe mais o objeto fílmico. A realidade transpôs os 94 minutos de projeção. Já é um círculo interminável contra o qual não se luta: se joga de acordo com as regras já estabelecidas.

Câmera sempre na mão, ausência de trilha sonora (neorealismo italiano?). Incômodo cuidadosamente provocado…

Depois de digeridas as informações, fica a dica.

Serbis ainda vai ser exibido no dia 06/09 às 19hs no Usina 1.

Comentários