Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Indie 2009 – DIA 03

Se as tais retrospectivas servem para entender melhor a totalidade do trabalho de um artista (se é que isso é possível), posso dizer que começo a conhecer e entender melhor Brillante Mendoza. Depois de ver um segundo filme do diretor (o primeiro por ele realizado) percebe-se sua estética ainda mais realista, quase “dogmática” (me referindo ao movimento de 95) e a dicotomia entre valores discordantes, mas que se encontram e chocam, e que ao invés de provocar mudanças ou conflitos (como em muitas histórias por aí), servem mais para provocar pensamentos e impressões…
Massagista (Massahista) de 2004 é a história de Iliac, jovem que trabalha numa casa de massagem atendendo clientes gays. Certa noite seu pai morre. É isto que acompanhamos nos 80 minutos de projeção.
O que há de realmente interessante na história é o modo como é conduzida. Quem vai se deparar com tal realidade muito mais do que o protagonista é o espectador. É como se os efeitos deste choque, deste embate entre vida e morte, prazer e dor, fossem apenas catalisadores para que aquele que assiste à Massagista possa sentir. Uma variedade quase infinita de sentimentos. E sente.
A sensualidade de um jovem que quer satisfazer seu cliente. Ele o despe. Ao mesmo tempo em que veste o corpo de seu pai, para que seja velado. Qual a diferença entre estes dois corpos? Que relação permeia estes contatos? Ela existe, e em que nível? Guarda semelhanças?
A mãe silenciosa, os costumes arraigados, o corpo é mercadoria, mero meio para conseguir prazer. Efêmero. Assim como as relações entre aquela família que parecem ser frágeis demais para ser recuperadas ou dignas de algum lugar de relevo na vida daquele rapaz.
Novamente câmera na mão, luz natural. Agora a não-linearidade, o vai-e-vem no tempo de uma noite que, embora curta, parece longa, dada a quantidade de impressões que deflagra. Começa e termina com uma viagem (antes de mostrar cena bem parecida com aquela que encerra Serbis). E se viagens, principalmente aquelas que fazemos sozinhos, servem para nos conhecer melhor, talvez seja isso que Iliac esteja buscando. O que não interessa a Brillante Mendoza. Seu objetivo já foi alcançado quando nos lançou numa jornada noite adentro com aquele jovem
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