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Direto do Indie 2010 Parte 3: Orly

Desonestidade é algo que me irrita em filmes. O filme pode duvidar da inteligência do espectador (o roteiro não se leva a sério e nem ao público que assiste), ou pode também ser exageradamente pretensioso (o que de certa forma também põe em dúvida o lugar do espectador como aquele que participa do processo, que identifica-se de alguma forma).

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É justamente o caso de Orly da diretora francesa Angela Schanelec. Em seu filme somos levados a um aeroporto (chamado Orly) onde pessoas se encontram, conversam, trocam experiências, se conhecem, se desconhecem também. Mas nada disso chega a ser relevante em algum momento do filme. Aí está o erro.

Homem a mulher se conhecem coincidentemente e passam a desenvolver certa ligação; uma mãe que vai ao enterro do falecido marido com seu filho tem revelações a fazer – ele também; um rapaz que se apaixona instantaneamente por uma moça assim que a vê. São muitas pequenas histórias, mas que nunca despertam o interesse do espectador. Em vários momentos os personagens se fazem perguntas das mais corriqueiras. Há uma busca pelo conhecimento do outro ali. Mas isso se restringe aos personagens. Quem assiste não se sente motivado a conhecer nada sobre aquelas pessoas.

É uma (pretensa) temática recorrente: o vazio, a dificuldade de se relacionar, a efemeridade das relações. Um aeroporto pode ser até o palco para que essas questões se evidenciem. Mas desde que colocadas de uma forma mais empática, minimamente atraente.

Orly se mostra um filme pedante, excessivamente (ou desnecessariamente) lento, e sem graça. É claro que um ritmo menos acelerado não é necessariamente um demérito para um filme. Mas desde de que sirva para alguma coisa e que não fique na gratuidade. Não recomendo.

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