Previsão do Oscar 2016 – parte I, por Tullio Dias | Cinema de Buteco
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Previsão do Oscar 2016 – parte I, por Tullio Dias

O-Regresso-Alejandro Previsão do Oscar 2016 – parte I, por Tullio Dias

DOMINGO QUE VEM É O GRANDE DIA. O mundo do cinema inteiro está de olho no Oscar 2016 para conhecer os artistas e obras premiados. Será que será a noite de Leonardo DiCaprio e Alejandro González Iñárritu? Tudo indica que a resposta é um sonoro “sim”.

No entanto, o Oscar 2016 está manchado por ter privilegiado especialmente homens brancos. O que revoltou o público através das mídias digitais, que criam a #OscarsSoWhite para reclamar da falta de indicações para atores negros, como é o caso de Michael B. Jordan, em Creed – Nascido Para Lutar.

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Polêmicas a parte, a premiação está mais equilibrada que a do ano passado. Mesmo que poucos filmes realmente se destaquem ao ponto de serem indispensáveis para a formação cinéfila (O Regresso, Quarto de Jack, Perdido em Marte e Mad Max: Estrada da Fúria são os melhores), pelo menos poderemos ver algo inédito acontecendo: Leonardo DiCaprio finalmente recebendo um Oscar e acabando com nossos memes favoritos da internet.

Compartilho agora os meus palpites para os vencedores. Lembrando sempre que os votos são pessoais e não levo em consideração as premiações dos Sindicatos que praticamente adiantam quem levará o Oscar para casa. Votar com o coração/preferência é muito mais gostoso! (Mesmo que isso signifique ficar em último lugar nos Bolões)

Melhor Filme: O Quarto de Jack

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Nas previsões do ano passado, a Larissa Padron fez algo legal e bem completo falando de quem merecia vencer, de quem ia ser premiado, de quem faltou, de quem não merecia estar na lista etc. Eu não sou legal como a Larissa e não farei desse jeito bonitinho, mas deixarei meu comentário para aquela que considero a maior injustiça do Oscar 2016: a ausência de Todd Haynes e o lindo Carol, nas categorias de direção e filme, respectivamente. Não que fosse vencer, mas fez falta!

Mad Max: Estrada da Fúria foi um dos meus filmes favoritos de 2015 e só não está com o nome ali em cima porque já encontrei um grande amor nesse Oscar 2016: a linda adaptação do romance O Quarto de Jack. Não tem como manter indiferente com a história dramática desse moleque vivido brilhantemente por Jacob Tremblay (outra ausência notável no Oscar 2016) e da sua mãe interpretada por Brie Larson. Em relação ao original, a adaptação não deixa nada a desejar e consegue emocionar até mais graças ao belo trabalho da trilha sonora.

Por sua grande sensibilidade, O Quarto de Jack conquistou o meu coração gelado e dificilmente perderá o trono de filme favorito do ano.


Melhor Diretor: Alejandro González Iñárritu, por O Regresso

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Ridley Scott, Steven Spielberg, Ron Howard e Quentin Tarantino foram os medalhões ignorados nesse ano na categoria mais importante do Oscar depois da de Melhor Filme. Depois de vencer em 2015, Alejandro González Iñárritu não tem um adversário que represente uma ameaça, e mesmo que Lenny Abrahamson e George Miller tenham merecido a indicação, nenhum deles transmite essa confiança de ter feito um “vencedor do Oscar”. Iñárritu e o seu ego nos dão a certeza de que ele sabe muito bem o que fez e o que poderia alcançar com o feito.

Azar para as dificuldades (o que é que importa se filmaram em lugares frios ou quiseram usar luza natural? Tudo foi feito por opção. Se O Regresso fosse uma bosta, será que diriam que as “dificuldades” foram as grandes culpadas? O importante é o resultado. Como foi feito é apenas curiosidade) que tiveram durante a produção. O que me faz acreditar (e torcer) por Iñárritu é que ele tem a marra de alguém que está caminhando para se tornar um dos grandes realizadores da atualidade.


Melhor Atriz: Brie Larson – O Quarto de Jack

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Será que as constantes indicações de Meryl Streep foram apenas pelo seu merecimento e não pela falta de vontade da Academia em encontrar novas atrizes? Será que a presença certa do nome de Jennifer Lawrence não reflita essa mesma atitude? Deixando de lado o talento das duas atrizes, elas acabam realmente roubando espaço de novos nomes. Como profissional de Marketing que sou, entendo que os executivos SEMPRE irão optar pelo que é garantido, mas falando sob a perspectiva de quem reclama da falta de novidades na indústria, talvez seja o momento de ver os ídolos de outra forma.

Reflexões a parte, Brie Larson já vem chamando a atenção há algum tempo. Com O Quarto de Jack ela conseguiu atingir o seu auge e certamente conseguirá se tornar uma nova referência feminina no mundo de Hollywood, pois ela merece demais esse reconhecimento. Na pele da mãe do pequeno Jack, Larson nos deixa comovidos com o seu instinto de sobrevivência e maternal. Uma coisa linda, linda.


Melhor Ator: Eddie Redmayne – A Garota Dinamarquesa

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Apesar de todo o meu amor pelo Michael Fassbender, sei que ainda não será desta vez que o ator será reconhecido pelo seu trabalho. Se existe uma categoria em que uma zebra parece improvável é a de ator principal. Leonardo DiCaprio não parece ter adversários, vide o buzz da imprensa, dos fãs e das premiações. Adoro assistir aos seus filmes, mas serei bem sincero ao dizer que mesmo sendo um puta ator, DiCaprio não me surpreendeu como Eddie Redmayne em A Garota Dinamarquesa. Uau. (Leia a crítica completa do filme)


Melhor Atriz Coadjuvante: Kate Winslet – Steve Jobs

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Que mundo é esse em que Leonardo DiCaprio pode vencer o Oscar e deixar a Kate Winslet de fora da festa? Tudo bem que poderia ser uma vingança por ela não ter deixado ele subir na prancha improvisada em Titanic, mas estou acreditando no amor e no perdão hoje.

Alicia Vikander ainda terá outras oportunidades de provar o seu valor, de preferência concorrendo na categoria principal – afinal de contas, tanto ela quanto Rooney Mara entraram na categoria de coadjuvantes quando interpretam personagens principais. Já Winslet é uma realidade. Como Steve Jobs, de Danny Boyle, acabou de fora das principais categorias, nada melhor que a atriz receber um prêmio pela obra e vingar essas lamentáveis ausências. Sem falar que a sua personagem no filme é tão (ou mais) relevante que o próprio Steve Jobs.

E sim. Eu sei que ela provavelmente deveria ter concorrido como atriz principal também…


Melhor Ator Coadjuvante: Sylvester Stallone – Creed

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Queria muito poder torcer pelo Tom Hardy, que é um dos meus atores preferidos na atualidade. No entanto, quando se tem a concorrência de Rocky Balboa não resta muita coisa para se fazer. Desculpe, Tommy, mas minha torcida é completamente dedicada para o senhor Sylvester Stallone!

Creed recupera boa parte dos valores presentes no longa-metragem original de 1976 e coloca Rocky como o mestre de um jovem desconhecido em busca do seu lugar ao sol. Mesmo sem o charme (ou qualidade) da obra que apresentou o personagem para o mundo, o grande trunfo de Creed é mostrar a vida do nosso eterno campeão após a aposentadoria e como ele encara o fato de ser um dos últimos sobreviventes daquela época. Sem amigos, sem família, Rocky volta as suas atenções para o mundo que o consagrou no passado. Stallone faz uma trabalho magistral e deixa os seus concorrentes na lona.


Melhor Roteiro Original: Alex Garland, em Ex Machina

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Ethan e Joel Coen escrevendo algo para Steven Spielberg tinha que render um puta filmaço, como é o caso de Ponte dos Espiões. Porém, o trio é arroz de festa do Oscar. Todo mundo sabe o que esperar, ao contrário do roteiro de Alex Garland para Ex Machina.

Com uma história que envolve elementos de terror, suspense e muita ficção-científica, Garland se tornou o grande responsável (ele também assina a direção) por um dos melhores filmes lançados em 2015, mas que infelizmente não chegou até as telas de cinemas brasileiros. Aliás, que falta que fez Oscar Isaac nessa categoria de melhores atores…


Melhor Roteiro Adaptado: Nick Hornby, em Brooklyn

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Duas palavras: Aaron Sorkin.

Mesmo com o melhor roteiro adaptado do ano ficando de fora da disputa, ainda existem bons representantes na categoria. Gostei muito do resultado de Perdido em Marte e votaria sem pensar duas vezes no trabalho que a própria autora Emma Donoghue fez na adaptação de O Quarto de Jack, mas estamos falando do meu escritor favorito na disputa por Brooklyn. Nick Hornby já havia feito um belo trabalho em Livre e retorna para mais uma excelente adaptação nessa obra sobre a dificuldade de encontrar o seu lugar no mundo.

Essa é sua, careca!


Redação do Buteco

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