Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Previsões do OSCAR 2012 – Parte I, por Tullio Dias

O Oscar 2012 se aproxima. Se Sacha Baron Cohen poderá ou não desfilar caracterizado como O Ditador pouco importa, mas será uma pena caso o comediante realmente não possa comparecer à cerimônia para prestigiar a vitória de A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese. Sim, afirmo isso por acreditar que se houver o mínimo de justiça no mundo da Academia, a derradeira homenagem de Scorsese para o cinema não terá muitas dificuldades para levar para casa os principais prêmios da noite, incluindo melhor filme e diretor.

Todos sabemos que o Oscar é famoso por suas injustiças e por melhor que seja O Artista, de Michel Hazanivicous, (curioso pensar que assim como Hugo, a produção muda também faz uma homenagem aos primórdios do cinema) não há como ignorar o impacto deixado pelo primeiro longa-metragem em 3D do diretor de Taxi Driver e Os Infiltrados. Em um mundo perfeito haveria um empate entre os dois filmes, mas nem mesmo depois de beber todas as doses de caipirinhas do universo seria possível assistir ao Billy Cristal chamando Scorsese e Hazanivicous para subirem ao palco juntos. Na verdade, se as boas fadas azuis tivessem poder no Oscar, David Fincher também estaria indicado (mas perderia novamente, claro).

Drive, Shame, Melancolia, O Espião Que Sabia Demais foram filmes prejudicados nesta edição do Oscar. Muitos davam como certa a indicação de Michael Fassbender ao prêmio de Melhor Ator, mas o Magneto, de X-Men: Primeira Classe, foi completamente ignorado. Tão lamentável (ou inexplicável?) quanto a ausência de Daniel Rezende nos nomes dos indicados ao prêmio de Melhor Edição. O brasileiro que estreou no cinema com Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, trabalhou junto de Terrence Malick em A Árvore da Vida e amargou o esquecimento. Aliás, como é possível que a ambiciosa produção de Malick tenha sido tão ignorada enquanto Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg, e Os Descendentes, de Alexander Payne, tenham recebido tantas indicações? Coisas do Oscar, coisas da vida, conversas de bar, opiniões estranhas. Deixa pra lá.

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Sem choro e nem vela, pois estamos chegando na hora da verdade, eis os meus favoritos para o Oscar 2012 (deixando claro que são apenas as minhas opiniões pessoais, ou seja: não queiram usar meus indicados como padrão para suas apostas! Não quero ninguém brigando comigo depois de perder dinheiro/dignidade participando de bolões):

Filme:

A Invenção de Hugo Cabret

O tio Martinho ataca em 3D pela primeira vez na sua longa carreira e ainda por cima faz uma espécie de autobiografia misturada com as origens do cinema e de um dos principais cineastas da história. E tudo em 3D. Com um cachorro gigante perseguindo a menina do Kick-Ass: Quebrando Tudo e o garoto Asa Butterfield. E com o Borat. E em 3D. Na boa? Precisa justificar? Assista ao filme e compare com os concorrentes. Por mais que A Árvore da Vida seja especial e O Artista seja belo, nenhum deles tem a assinatura de Martin Scorsese.


Diretor: Martin Scorsese
, de A Invenção de Hugo Cabret 

Michel Hazanivicous tem grandes possibilidades de vencer o prêmio sim, claro. Aliás, O Artista tem muitas chances de vencer o Oscar de Melhor Filme também, mas por todos os motivos que citei acima e por tudo que Martin Scorsese representa para o cinema norte-americano, não acredito que ele voltará para casa sem o seu segundo carequinha. Terrence Malick e Woody Allen estão (quase que literalmente) cagando e andando para o Oscar, então não irão se importar caso deixem de vencer o prêmio.

Ator:

                                                                                         Jean Dujardin, de O Artista

Meu favorito era o George Clooney. Até que assisti O Homem Que Mudou o Jogo e tive certeza absoluta (eu acho) que Brad Pitt seria o vencedor. Então, quando tudo parecia decidido, eis que assisto o tal do filme mudo que todo mundo estava falando. Como escrevi na minha crítica, O Artista é muito especial e não será injusto se ele tirar a maioria dos prêmios de Hugo, mas será extremamente injusto se Jean Dujardin não ganhar o prêmio de Melhor Ator. O sujeito arrasa no filme inteiro e essa é uma categoria quase obrigatória para O Artista.

 

Atriz:

                                          Rooney Mara, de Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Duvido que meu voto tenha sido uma surpresa, mas para quem ficou sem entender o motivo que deixei de lado a opção de votar na Meryl Streep e me dar bem no bolão do Cinema de Buteco, a razão é simples: você prefere ver a merkin (peruca pubiana muito comum nas épocas antigas e que é utilizada – e vista – pela personagem Lisbeth Salander)  da Mara ou da Streep? Brincadeiras a parte, a jovem atriz supera todas as expectativas e cria uma personagem única em sua carreira. Já que Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres foi ignorado em outras categorias, nada mais justo que premiar o esforço, o talento e tudo mais que Rooney Mara tem para mostrar.

Ator Coadjuvante: Max von Sydow, de Tão Forte e Tão Perto

A categoria dos atores coadjuvantes também sofreu várias alterações na minha preferência. Nick Nolte, de Guerreiro, seria o candidato ideal, mas Christopher Plummer aparece com uma sensibilidade emocionante em Toda Forma de Amor. Só pela cena em que seu personagem fala sobre sua relação com a ex-esposa já valeria o Oscar. Mas tudo pode mudar. Sempre. Tão Forte e Tão Perto é daqueles filmes que não sossegam enquanto não conseguem arrancar lágrimas do público. Max von Sydow entra mudo e sai calado, mas sua participação é marcante demais para ser ignorada. Por mais que a Academia costume valorizar interpretações de personagens gays ou bêbados, é hora de de premiar o exorcista mudo do filme estrelado por Tom Hanks e Sandra Bullock. E quem não concordar, que tome cuidado ao dormir!


Atriz Coadjuvante: Jessica Chastain
, por Histórias Cruzadas

Por todo o conjunto da obra, Jessica Chastain deverá vencer o prêmio de atriz coadjuvante e compensar a sua não indicação por A Árvore da Vida. A sósia de Bryce Dallas Howard interpreta uma mulher bem chata em um filme mais ou menos chato com uma protagonista nada chata chamada Emma Stone. Aliás, vamos combinar, né? A única coisa boa de verdade em Histórias Cruzadas é a performance de todas as mulheres do elenco, especialmente Viola Davis.

Roteiro OriginalMeia Noite em Paris

Nunca fui um grande entusiasta de Woody Allen como a nossa querida Nathália Pandeló ou o João Andrade, mas Meia Noite em Paris se tornou um filme muito especial. Talvez tenha sido pela companhia (eu só levava essa minha amiga para assistir filmes ruins – tipo Padre – e então consegui provar que tinha bom gosto graças ao trabalho de Allen) ou por conta da história em si, que acaba sendo como uma lição para muitas situações que já vivi pessoalmente ou ouvi alguém vivendo. De qualquer forma, não é por acaso que esta seja a produção de maior sucesso da carreira de Allen: o roteiro, as imagens, as atuações, tudo é lindo. O herege do Joubert Junior descreveu Meia Noite em Paris como uma versão não-comédia de Uma Noite no Museu. Quem acha que ele merece tomar umas porradas?


Roteiro Adaptado: O Homem Que Mudou o Jogo

Difícil escolher um favorito aqui. John Logan deve acabar levando o careca dourado para casa, mas sou incapaz de ignorar a dobradinha de Aaron Sorkin e Steve Zaillian (que deveria ter sido indicado também por Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres) em O Homem Que Mudou o Jogo. Sou fã do Sorkin desde que Studio 60 virou a minha série de TV favorita (e claro que teve que ser cancelada na primeira temporada) e a produção estrelada por Brad Pitt e Jonah Hill é realmente envolvente e interessante demais para passar em branco. Curioso é dizer que algo relacionado ao baseball pode ser interessante. Ou seja, se Sorkin e Zaillian conseguiram tornar esse esporte em um filme bom, eles merecem um prêmio!

 

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