Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Sem limão nem gelo! – Woody Allen

Apresentando a coluna Sem Limão nem Gelo!: Existem filmes que aparentemente são obras de arte inquestionáveis para a maioria dos cinéfilos, porém descobrimos a existência de um senhor que se recusar a enxergar qualidade em obras de alguns dos principais cineastas de todos tempos. Tudo bem, afinal ninguém precisa gostar de tudo, mas essa figura se destaca por seu rancor. 

Com tantas opiniões polêmicas, não deu outra: encontramos o Seu Germano tomando a sua tradicional cachaça no bar da esquina e o convidamos para desabafar sobre “certas verdades do cinema que ninguém quer aceitar”, como ele mesmo gosta de dizer. Lembrando que os textos refletem apenas a opinião do autor.

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Para a estreia, o Seu Germano escolheu falar de Woody Allen, que completa 77 anos hoje, dia 1 de dezembro. 
Então, um feliz aniversário para o diretor e uma boa sorte para o Seu Germano nas páginas do Cinema de Buteco (ele vai precisar). Espero que se divirtam com o texto abaixo e que mandem suas respostas calorosas para nosso desafortunado novo amigo.

por Tullio Dias

A exaltação da indústria cinematográfica a certos tipos nunca fez muito sentido para mim. Porém, até mesmo esta, do alto de sua insensatez, mantém certo padrão sobre o que é fazer bom cinema ou não. Contudo, acho que alguns nomes fogem à regra, e, mesmo produzindo porcaria atrás de porcaria, ainda têm destaque, devido a um passado remoto em que produziram filmes decentes em suas carreiras.

E é exatamente para desmistificar esse tipo de atitude da crítica, como o tal “must see it”, que resolvi me reinventar e inventar essas linhas. Para abrir os olhos dos cinéfilos de plantão para essa crueldade exercida pela crítica, que muitas vezes pode ser pior que a mídia comercial, ao ponto que tentam enfiar-lhe “goela abaixo” 110 minutos de absurdos e coisas sem o menor nexo saídas da cabeça de um idoso de 77 anos de idade, o qual parece ter perdido a habilidade de fazer cinema junto com suas funções mentais, que diga-se de passagem nunca foram muito boas.

Sim, estou falando de Woody Allen, que do alto dos seus aproximadamente cinquenta anos de carreira, já fez coisas relevantes sim. Não me entendam mal, aqui a oposição não vai contra o autor, mas sim contra a imposição de que eu tenho que perder mais de 100 horas da minha vida para ficar à par da obra cinematográfica de um autor, para me “inteirar sobre cinema”. Sendo que, convenhamos, 70% dessa obra é feita de merda.

Quisera eu voltar ao tempo que Woody Allen possuía algum tipo de luz e relevância em seu trabalho, e que o mesmo não tivesse perdido a sua razão para as suas neuroses internas. Auge como o visto na carreira do autor na década de 70 já não se espera mais. Começamos ali com Bóris Grushenko e suas divertidas trapalhadas e vamos até Hannah and Her Sisters, passando por grandes obras do cinema como Rosa Púrpura do Cairo, Manhattan, Annie Hall, entre outras.

Mas é fato que o roteirista e diretor há muito já perdeu a mão, e se você quiser se inteirar sobre toda a obra do mesmo, perde um bom tempo aí se martirizando, assistindo suas obras de 87 a meados dos anos 2000. Dentro desse monstruoso hiatus criativo de Woody Allen, encontramos apenas dois filmes que valham remotamente à pena, que seriam Bullets Over Broadway e Manhattan Murder Mystery.

É exatamente por causa dessa irregularidade no seu trabalho que não entendo a tal da “obrigatoriedade” do mesmo para a indústria cinematográfica. Cá entre nós, um roteirista que nos faz passar por coisas do tipo Todos Dizem Eu Te Amo, Anything Else, A Outra, Melinda e Melinda, Alice… Não merece ser colocado dessa forma em um pedestal pela indústria cinematográfica apenas por que estudou os trejeitos de alguns artistas parisienses da década de 20 e transportou isso para as telonas.

E por falar nisso, por que não falar dessa que foi a última e desesperada tentativa de se inserir no mercado da indústria cinematográfica? Já que Woody Allen não é um grande diretor, o mesmo deveria aparecer com outra solução para salvar a sua carreira (que se recusa a aposentar). E quão esperta não foi a “migração para a Europa”… Trouxe a crítica e o mercado de volta para os seus pés, e todos achavam que Match Point era o recomeço do roteirista.

Todos tolos e enganados, mal sabiam que nem o próprio Woody Allen sabia o que estava fazendo e começou a dar vários tiros no escuro, e à la grega nos presentear com coisas do tipo O Sonho de Cassandra, Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, Scoop e mais recentemente To Rome with Love. É claro que de tanto atirar, em uma ou outra você acerta… Mas atribuo o sucesso de Vicky Cristina Barcelona muito mais à atuação e o de Midnight in Paris muito mais ao apelo comercial.

E o problema é exatamente esse, o de não conseguirmos enxergar uma evolução no trabalho do diretor. E não me venham com a história de que a arte não é evolutiva, porque o que o Woody Allen faz está muito mais para uma coisa mecânica do que arte propriamente dita. Vemos então que apesar de estar sempre trabalhando e em voga, existe um profundo relaxamento do autor para com sua obra… Afinal, não importa a merda que ele fizer. A indústria cinematográfica vai considerar o filme como um dos “must see it” do ano.

Por isso, meu caro leitor, se algum crítico vier para você e falar a famosa frase que roda ano após ano… “Saiu o filme do Woody Allen”, mande pastar e diga que de mais do mesmo já basta a rotina da vida.

Nota:[cinco]

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