#5 Motivos Pelos Quais Você Deveria Assistir Mozart In The Jungle

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Tímida, no finalzinho de 2014, Mozart in The Jungle veio à tela da sua TV por streaming, para contar a história da fictícia orquestra sinfônica novaiorquina e seus excêntricos integrantes. O que a primeira vista pode parecer “mais uma comedia pós moderna que terá duas temporadas na HBO e depois será cancelada” acaba ganhando espaço no coração do público a cada episódio que passa, pelo carisma de seus personagens.

Depois de estrear sua segunda temporada no final do ano passado e lavar à égua ontem no Globo de Ouro, o Cinema de Buteco decidiu te dar mais cinco razões para você realmente não pode deixar de conferir essa pérola da Amazon.

#1 Porque populariza um nicho bem elitizado.

Mozart in The Jungle traz para o mainstream esse tão atípico mundo da música clássica, das orquestras e concertos, e mostra que no mesmo existe comércio e competição, como em qualquer outra categoria artística. E muito além de nos introduzir a nesse mundo, a série faz uma ótima utilização de seus recursos. Em momento algum você será sobrecarregado de música clássica e enxurradas de referências. Um bom texto e com um grupo excelente de diretores, fazem uso espaçado dessas referências musicais durante os episódios, levando-nos ao interesse gradual por esse tão excêntrico e poético universo.

#2 Porque valoriza o artista.

Mozart in The Jungle, não só nos situa nesse diferente mundo, como também nos mostra que as pessoas que o compõem são gente como a gente. Artistas com dificuldades reais e diárias, para viverem de sua arte e adaptarem-se à vida concorrida na cidade grande, aonde só a nata da nata é valorizada. O show mostra grande embate da companhia e dos artistas entre a vontade de manterem-se verdadeiros à sua essência e a necessidade em tornarem-se mais comerciais, para poderem fazer uma vida disso.

#3 Porque Gael Garcia Bernal e Lola Kirke são colírios para os olhos.

Desde os primeiros momentos Gael Garcia Bernal rouba a cena na pele do excêntrico e poético Maestro Rodrigo. O jovem prodígio conhecido mundialmente veio injetar o gás comercial que a orquestra tanto precisava. Em contra partida, quando se tem um grupo de personagens tão diferentes como em Mozart in The Jungle, o personagem principal, que nos guia pela história, tende a ser sempre mais sem graça e apagado, propositalmente. Quebrando esse estigma, Lola Kirke, preenche muito bem este lugar, ao mesmo tempo que emana uma empatia hipnotizante com o telespectador, que não a deixam passar batida ou muito menos tronar-se cansativa.

#4 Porque reserva tempo para explorar seus extraordinários coadjuvantes.

Em uma série onde a personagem principal é a orquestra, não basta apenas usar os personagens coadjuvantes como coro, mas é válido reservar um tempo para cada um deles e mostrar porque todos eles juntos dão vida a esse ser tão irradiante. O tempo que a série dispõe para contar a colorida história de Thomas interpretado por Malcolm McDowell, as dificuldades e artimanhas que uma artista na idade de Cynthia (Saffron Burrows) ainda usa para conseguir seus objetivos, os ciúmes e rixas dentro de uma equipe graciosamente protagonizados por Debra Monk… Enfim, essa paciência com seus personagens, nos envolve dentro desse universo da história, e em momento algum atrapalha o andamento da narrativa principal.

#5 Porque é uma dramédia extremamente equilibrada.

É comum vermos atualmente séries de comédia, que saíram completamente de seu rumo, e que quando você acaba de assistir o episódio você se sente muito mais reflexivo do que aliviado. Creio que muito pela influência de Jason Schwartzman, Mozart in The Jungle, não cai no mesmo erro. O show é uma narrativa, as personagens tem seus dramas, mas o fato deles rirem de si mesmos o tempo todo, nos leva a rirmos junto com eles. Personagens divertidos e excêntricos como o de Gael Garcia mostram que elas são muito maiores que os seus próprios dramas. Outro fator que salva a comédia em Mozart é o fato de você nunca saber se você está rindo do tema ou com o mesmo, satirizando constantemente o seu universo a série nos conecta ao mesmo através de suas mazelas.

Mozart in the Jungle, voltou dia 30 do mês passado para a sua segunda temporada, e parece que a série cresceu. Com gigantes contemporâneos à frente do show como Jason Schwartzman, Paul Weitz, Roman Coppola, o show que uma vez fora taxado de underground e vivia as sombras de sua companheira de emissora Transparent, ganhou ontem dois Globos de Ouro ontem e recebeu finalmente todas as atenções que merecia. Para conferir essa incrível sinfonia é só dirigir-se ao Amazon.com, a série é uma mais uma produção original do canal.

Jairo Borges